De acordo com Patto (1992) “A afirmação da patologia generalizada das crianças pobres, a patologização de suas dificuldades escolares tem algumas consequências que convém destacar”, tais como:
- A)induz a uma concepção simplificadora do aparato psíquico dos pobres.
Certa, porque a patologização faz a criança pobre ser vista de modo simplificado e deficitário, como se sua dificuldade escolar fosse um problema psíquico naturalizado.
- B)aponta a responsabilidade da escola.
Errada, porque a crítica de Patto não é para deslocar a culpa para a escola de forma direta, mas para mostrar que o fracasso não pode ser reduzido ao aluno.
- C)problematiza a relação família-escola de maneira crítica.
Errada, porque o foco da autora não é uma leitura crítica da relação família-escola, e sim a denúncia da medicalização e da psicologização da pobreza.
- D)destaca as crianças mais pobres como mais capazes academicamente.
Errada, porque Patto não sustenta superioridade acadêmica das crianças mais pobres; ao contrário, critica a visão estigmatizante sobre elas.
- E)leva a uma mudança de paradigmas na educação.
Errada, porque o texto aponta uma crítica ao modo de explicar o fracasso escolar, não uma mudança automática de paradigma na educação.
Gabarito: A
Patto, ao criticar a "patologização" das dificuldades escolares das crianças pobres, mostra um problema clássico: em vez de olhar para as condições sociais, pedagógicas e institucionais da escola, muitas vezes se transforma o fracasso escolar em defeito individual da criança. É como se a dificuldade de aprender virasse automaticamente um "problema interno" do aluno, e não uma produção social e escolar. Quando a autora fala em "patologia generalizada", ela denuncia a tendência de tratar crianças pobres como se já chegassem à escola com uma espécie de incapacidade psíquica naturalizada. Isso simplifica o sujeito, reduz sua história e seu contexto a um rótulo clínico ou moral. Na prática, o olhar sai da escola e vai direto para o aluno, como se o sistema estivesse sempre inocente. Por isso, a alternativa A está correta: a patologização induz justamente uma concepção simplificadora do aparato psíquico dos pobres, como se suas dificuldades fossem explicadas por uma suposta inferioridade individual. Patto critica essa lógica porque ela encobre desigualdades sociais e legitima o fracasso escolar como se fosse algo "da criança". Não é uma questão de lei, mas de crítica teórica na Psicologia da Educação, muito ligada à ideia de que o fracasso escolar não pode ser explicado só por diagnósticos individuais. O ponto central é evitar o velho truque de culpar o aluno por um problema que também é da escola e da sociedade.