Sobre a atuação do psicólogo na abordagem da saúde mental no contexto da Atenção Básica à Saúde, assinale a afirmativa correta.
- A)Considera a interdependência do sofrimento de pessoas, famílias, comunidades e territórios.
Certa, porque expressa a visão ampliada e territorial da saúde mental na Atenção Básica, considerando a relação entre sujeito, família, comunidade e contexto.
- B)Enfatiza a doença e os sintomas de sofrimento do sujeito, em detrimento do contexto em que estes aparecem.
Errada, porque na Atenção Básica não se deve reduzir o cuidado ao sintoma, ignorando o contexto social e territorial do usuário.
- C)Mantém a objetividade pertinente à cientificidade da área, para não afetar o processo de cuidado em saúde mental.
Errada, porque o cuidado em saúde mental na APS exige vínculo, escuta e contexto, não uma suposta neutralidade que afaste a dimensão humana da intervenção.
- D)Privilegia a clínica individual, enquanto estratégia de cuidado considerada como intervenção em saúde mental.
Errada, porque a clínica individual pode existir, mas não é a única nem a principal estratégia no modelo territorial e interdisciplinar da Atenção Básica.
- E)Fundamenta a produção de diagnósticos a fim de encaminhar os usuários para a atenção psicossocial especializada.
Errada, porque o foco não é apenas diagnosticar e encaminhar, mas também acolher, acompanhar, prevenir e construir cuidado compartilhado na rede.
Gabarito: A
Na Atenção Básica, o psicólogo não trabalha olhando só para o sintoma isolado, como se a pessoa fosse uma ilha. A lógica é territorial e comunitária: o sofrimento mental é entendido dentro da vida real do usuário, da família, da rede de apoio, do trabalho, do bairro e das condições sociais em que ele vive. Isso combina com a proposta da Estratégia Saúde da Família e do cuidado em rede no SUS, que valorizam a clínica ampliada e o cuidado integral. Por isso, a abordagem em saúde mental na Atenção Básica considera a interdependência entre pessoas, famílias, comunidades e territórios. Em outras palavras, o que acontece com um impacta o outro, e o contexto faz diferença no modo como o sofrimento aparece e pode ser cuidado. Não é uma visão “consultório fechado, paciente em foco e mundo lá fora”, mas sim uma leitura mais ampla e contextualizada. A FGV costuma cobrar exatamente essa mudança de lente: sair de uma psicologia centrada apenas no indivíduo e entrar numa perspectiva de cuidado integral, interdisciplinar e territorial. O psicólogo na Atenção Básica atua em articulação com a equipe de saúde, construindo vínculo, apoio matricial, ações coletivas e encaminhamentos quando necessários, sem reduzir o trabalho a diagnóstico ou medicalização. Por isso, o gabarito é a letra A, porque ela traduz a compreensão correta do sofrimento mental como algo relacionado ao sujeito e ao seu contexto de vida. As demais alternativas trazem ideias mais restritas, individualizantes ou excessivamente medicalizantes, que não combinam com a lógica da Atenção Básica no SUS.