O papel do psicólogo que integra uma equipe multiprofissional encarregada de assistência domiciliar é o de
- A)reportar à sua equipe todos os elementos do relato do paciente que estão inacessíveis aos outros profissionais e aos familiares.
Errada, porque o psicólogo não deve simplesmente repassar tudo o que o paciente diz, já que precisa respeitar sigilo, ética e finalidade terapêutica.
- B)avaliar as condutas dos profissionais da equipe a fim de aprovar as intervenções que atendem às demandas do paciente.
Errada, porque o psicólogo não tem função de aprovar ou controlar as intervenções dos demais profissionais, e sim de colaborar com a equipe.
- C)concentrar sua atenção integralmente nas demandas do paciente, oferecendo-lhe um espaço de privacidade e exclusividade.
Errada, porque na assistência domiciliar o foco não pode ficar só no paciente de forma isolada, já que a família e a equipe fazem parte do processo.
- D)identificar e intervir junto aos conflitos familiares que estão interferindo no processo de recuperação do paciente em atendimento.
Errada, porque conflitos familiares podem até ser considerados, mas o papel do psicólogo não se reduz a isso nem se limita a intervir apenas nesse ponto.
- E)acolher os aspectos da subjetividade do paciente, dos profissionais e familiares, facilitando a comunicação entre todos.
Certa, porque o psicólogo deve acolher a subjetividade do paciente, da família e da equipe, favorecendo a comunicação e a integração do cuidado.
Gabarito: E
Na assistência domiciliar, o psicólogo não entra como um "detetive emocional" nem como alguém que trabalha isolado dentro da casa do paciente. Ele atua em equipe multiprofissional, então sua função é ajudar a construir comunicação, acolhimento e entendimento entre paciente, família e profissionais. Em domicílio, isso é ainda mais importante, porque o cuidado acontece dentro de uma rede de relações que influencia diretamente a recuperação. Por isso, o papel do psicólogo vai além de escutar o sofrimento individual. Ele precisa considerar a subjetividade do paciente, mas também a dos familiares e da própria equipe, já que cada um traz expectativas, medos, resistências e conflitos. Quando ele facilita essa circulação de sentidos, o atendimento flui melhor e evita que o cuidado vire uma batalha de versões dentro de casa. A alternativa correta é a que mostra exatamente essa postura integradora: acolher os aspectos subjetivos de todos os envolvidos e facilitar a comunicação entre eles. Isso está em sintonia com os princípios do trabalho em equipe e da atenção humanizada na saúde, especialmente na lógica da atenção domiciliar, que depende muito da articulação entre vínculo, escuta e corresponsabilização. Em resumo: o psicólogo na assistência domiciliar não é nem fiscal, nem juiz, nem terapeuta em bolha. Ele funciona como mediador qualificado do cuidado, ajudando a equipe e a família a fazerem o paciente ser cuidado de forma mais humana e mais coordenada.