Para Pichon-Rivière (2005), os grupos de discussão e tarefa, nos quais se estruturam mecanismos de autorregulação, são postos em funcionamento por um coordenador, cuja finalidade é obter, dentro do grupo, uma comunicação que se mantenha ativa, ou seja, criadora. Nas técnicas grupais, a função do coordenador
- A)é manifestar o que o restante do grupo está sentindo e pensando, dar forma aos sentimentos e conflitos.
Errada: descreve mais a função de espelhamento ou de porta-voz emocional do grupo, e não a coordenação da comunicação.
- B)consiste essencialmente em criar, manter e fomentar a comunicação, por meio de um desenvolvimento progressivo.
Certa: expressa exatamente a função do coordenador em Pichon-Rivière, que é criar, manter e fomentar a comunicação de forma progressiva.
- C)é manter seu papel fixo, apresentando consciência de sua atuação vertical.
Errada: o coordenador não deve manter papel fixo nem atuar com verticalidade rígida, porque isso contraria a dinâmica criativa do grupo operativo.
- D)é se tornar depositário das características negativas do grupo, assumindo para si todos os defeitos dos outros membros.
Errada: essa descrição remete ao bode expiatório ou depositário das partes negativas do grupo, o que não corresponde à função do coordenador.
Gabarito: B
Pichon-Rivière trabalha a ideia de grupo como um espaço vivo, em que a comunicação precisa circular para que o grupo aprenda, elabore conflitos e avance na tarefa. No grupo operativo, o coordenador não é um chefe nem um intérprete onipotente: ele atua como facilitador do processo, ajudando a sustentar a comunicação e a favorecer a elaboração coletiva. A função central do coordenador, nessa perspectiva, é criar, manter e fomentar a comunicação dentro do grupo, de modo progressivo e ativo. Em vez de bloquear o fluxo, ele organiza as condições para que os membros falem, escutem, troquem e construam algo em conjunto. É essa movimentação que mantém o grupo produtivo e criativo. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela traduz exatamente a tarefa do coordenador nos grupos de discussão e tarefa em Pichon-Rivière: promover um desenvolvimento progressivo da comunicação, sustentando o vínculo grupal e a elaboração da tarefa. As demais alternativas tentam deslocar o coordenador para papéis que não são o foco da técnica, como porta-voz emocional, líder fixo ou bode expiatório. Em termos doutrinários, isso conversa com a noção de grupo operativo e com a função de coordenação como motor da dinâmica grupal, e não como centro autoritário da decisão. No fundo, o coordenador não faz o grupo andar no empurrão - ele organiza o terreno para que o próprio grupo caminhe.