← Questões de Psicologia

Psicologia · UNIOESTE · 2022

Questão comentada de Psicologia

Segundo Dalgalarrondo (2019, p. 535), nos instrumentos estruturados com perguntas para avaliar a personalidade, há, na maior parte das vezes, questões que não deixam claro se a característica investigada é de algo atual ou de algo realmente presente e estável ao longo da vida. Por exemplo, afirmações como “sou comunicativo”, “confio no que as pessoas dizem”, “gosto de manter a rotina”, “sou uma pessoa nervosa” (essas questões são da Bateria Fatorial de Personalidade [BFP], do modelo Big Five), em uma pessoa em estado depressivo, maníaco ou com quadro paranoide, não irão captar a personalidade presente ao longo da vida do indivíduo, mas antes seu estado mental atual. O mesmo é verdadeiro para os testes projetivos, que podem captar o estado atual, momentâneo. Portanto, é muito importante, nas avaliações de personalidade, tomar as seguintes precauções, para que a avaliação reflita a personalidade ao longo da vida, e não o estado atual (marque a alternativa INCORRETA):

Gabarito: E

Quando você avalia personalidade, a ideia central é separar traço estável de estado momentâneo. Isso porque um instrumento, uma entrevista ou até um teste projetivo pode “capturar” muito do humor, do surto, da ansiedade ou da depressão daquele dia, e não necessariamente o jeito de ser da pessoa ao longo da vida. Por isso, em quadros agudos, o ideal é esperar a fase de remissão ou estabilidade clínica sempre que isso for possível, para reduzir o risco de confundir sintoma com personalidade. Dalgalarrondo destaca justamente essa precaução: a avaliação deve mirar o padrão duradouro de sentir, pensar e agir, e não apenas o funcionamento atual. Na prática, isso exige dizer ao paciente e aos informantes o que está sendo investigado, colher dados em diferentes momentos da vida e, quando possível, ouvir também familiares ou pessoas próximas que conheçam bem a trajetória do avaliado. É aí que a alternativa E cai por terra. Ela afirma que a avaliação qualitativa da personalidade deve se limitar ao período atual e que não cabem entrevistas com familiares ou conhecidos. Isso contraria a lógica da avaliação de personalidade e o próprio conteúdo doutrinário apresentado no enunciado, porque o objetivo é justamente captar traços persistentes ao longo dos anos, e não apenas um recorte passageiro do estado mental. Em resumo: personalidade é mais “como a pessoa costuma ser” do que “como ela está hoje”. Se o enunciado pede a alternativa incorreta, desconfie de qualquer opção que reduza a avaliação ao presente ou que dispense fontes complementares de informação.

Continue treinando

Questões relacionadas