O fracasso escolar no Brasil configura-se como um grave problema social que demanda ações interprofissionais. Neste caso, a atuação do(a) Psicólogo(a) escolar visa:
- A)Propor estratégias de enfrentamento como recurso pedagógico e assim ajustar o comportamento discente de acordo com os padrões de normalidade aceitos socialmente.
Errada, porque propõe ajustar o aluno à normalidade, o que reforça uma visão corretiva e normatizadora, não a atuação crítica da Psicologia Escolar.
- B)Invalidar a abordagem corretiva em relação as dificuldades de aprendizagem.
Errada, pois negar toda abordagem corretiva é exagero e não responde ao papel preventivo e institucional do psicólogo escolar nas dificuldades de aprendizagem.
- C)Focar no contexto relacional e interseccional para trabalhar as adversidades, apenas para propor soluções pedagógicas mediante a heterogeneidade psicogenética e a diversidade cognitiva.
Errada, porque mistura termos imprecisos e reduz a atuação a soluções pedagógicas, quando o foco do psicólogo escolar vai além do pedagógico e inclui as relações e o contexto institucional.
- D)Criar espaços de interlocução com estudantes de vários níveis educacionais, para promover o intercâmbio de conhecimento e oportunizar o compartilhamento de dicas que deram certo.
Errada, porque fala em troca de dicas e intercâmbio entre estudantes, mas isso não expressa a função específica do psicólogo escolar diante do fracasso escolar.
- E)Romper com a cultura do sucesso escolar e atuar de forma preventiva e relacional.
Certa, pois defende uma atuação preventiva e relacional, voltada a romper com a lógica do sucesso escolar como padrão único e a enfrentar o problema de forma contextualizada.
Gabarito: E
O fracasso escolar não deve ser visto como um problema individual do aluno, como se a escola pudesse simplesmente “consertar” quem foge do padrão. Na Psicologia Escolar, a leitura atual é mais ampla: ela olha para o processo de escolarização, para as relações dentro da escola, para as condições sociais e para como tudo isso interfere na aprendizagem. Ou seja, a dificuldade não mora só na criança, mas também no contexto em que ela aprende. Por isso, o trabalho do(a) psicólogo(a) escolar não é reforçar uma lógica de normalidade e sucesso a qualquer custo, nem sair distribuindo receita pedagógica pronta. A atuação deve ser preventiva, institucional e relacional, ajudando a escola a rever práticas, acolher diferenças e construir estratégias coletivas para reduzir o sofrimento e os obstáculos ao aprender. A alternativa E está correta porque aponta exatamente essa virada de chave: romper com a cultura do sucesso escolar entendido como padrão único e atuar de forma preventiva e relacional. Isso combina com uma visão crítica da Psicologia Escolar, que se afasta da culpabilização do estudante e da medicalização automática das dificuldades. Em vez de focar só no “defeito” do aluno, a intervenção considera a rede de relações, o ambiente pedagógico e os fatores sociais. Em termos doutrinários, essa perspectiva está alinhada com a Psicologia Escolar crítica e com os princípios da LDB (Lei 9.394/1996), que valorizam o respeito às diferenças e a busca por uma educação inclusiva e emancipadora. Na prática, o psicólogo escolar atua para prevenir o fracasso, favorecer vínculos e apoiar mudanças institucionais, e não para transformar a escola em uma fábrica de conformidade.