O trabalho com famílias e políticas públicas exige do psicólogo um atendimento psicossocial, e não apenas um atendimento clínico tradicional. Para Fabiani Lima e Daniela Schneider (2018), um atendimento psicossocial deve ter como foco:
- A)dois atendimentos complementares: o psicológico e o social.
Errada, porque reduz o atendimento psicossocial a duas práticas separadas, quando o foco é mais amplo e territorial.
- B)as práticas psicoterapêuticas.
Errada, porque psicoterapia é só uma parte possível da atuação, não o centro do atendimento psicossocial.
- C)no atendimento de pessoas com problemas mentais.
Errada, porque restringe indevidamente a atuação a pessoas com transtornos mentais, ignorando vulnerabilidades sociais e familiares.
- D)o sofrimento no sentido ontológico.
Errada, porque trata o sofrimento em abstrato e não considera os determinantes sociais e territoriais do problema.
- E)os contextos produtores de vulnerabilidade.
Certa, porque o atendimento psicossocial se orienta pelos contextos que produzem vulnerabilidade e sofrimento na vida concreta das pessoas e famílias.
Gabarito: E
Em Psicologia nas políticas públicas, especialmente no trabalho com famílias e em contextos de assistência social, o atendimento não pode ficar preso à lógica do consultório tradicional. A ideia de atendimento psicossocial é justamente olhar a pessoa junto com sua rede, seu território, suas condições de vida e os fatores sociais que atravessam o sofrimento. Fabiani Lima e Daniela Schneider (2018) destacam que o foco desse tipo de atendimento está nos contextos produtores de vulnerabilidade, e não apenas na dor individual isolada. Isso significa considerar pobreza, violências, rompimento de vínculos, exclusão social, acesso precário a direitos e outras situações que afetam a vida da família e da comunidade. Por isso, a alternativa correta é a que aponta para os contextos que geram ou intensificam vulnerabilidades. O psicólogo, nesse cenário, atua de forma articulada com a rede de proteção, com escuta qualificada, leitura do território e intervenção que vá além da psicoterapia clássica. É a Psicologia saindo do sofá e entrando na realidade social, sem perder a técnica, claro. Esse olhar está em sintonia com a lógica do SUAS e das políticas de proteção social, que priorizam a prevenção de riscos, a promoção de direitos e o fortalecimento de vínculos. O atendimento psicossocial, portanto, não centra sua atuação apenas no sintoma, mas na trama social que produz sofrimento e exclusão.