Maria, uma mulher de 35 anos, procura atendimento devido a uma constante sensação de preocupação excessiva. Ela relata que está sempre tensa e nervosa, sem motivo aparente, e que esses sentimentos estão presentes na maioria dos dias há vários anos. Maria também menciona sintomas como inquietude, cansaço constante, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, insônia e sudorese frequente. Ela revela que essa ansiedade não está relacionada a situações específicas e não ocorre na forma de ataques de pânico. Maria informa que sempre foi uma pessoa "nervosa" desde jovem, mas que esses sentimentos parecem ter piorado com o tempo. Com base no caso clínico de Maria, qual é o transtorno de ansiedade mais provável?
- A)Transtorno de pânico.
Errada, porque o transtorno de pânico envolve ataques súbitos e recorrentes de medo intenso, o que não aparece no caso.
- B)Transtorno de ansiedade generalizada.
Certa, porque há preocupação excessiva e persistente, sem foco em situação específica, com sintomas típicos de ansiedade generalizada.
- C)Transtorno obsessivo-compulsivo.
Errada, porque o transtorno obsessivo-compulsivo exige obsessões e/ou compulsões, que não foram descritas no enunciado.
- D)Transtorno de ansiedade social (fobia social).
Errada, porque a ansiedade social é centrada no medo de avaliação negativa em situações sociais, e isso não foi relatado.
Gabarito: B
O quadro descrito aponta para um transtorno de ansiedade com preocupação excessiva e persistente, acompanhada de sintomas físicos e mentais quase todos os dias. Repare que a ansiedade de Maria não aparece só em situações específicas, nem vem em crises curtas e intensas. Ela está presente há anos, “ligada no 220V” sem motivo claro, como se a mente nunca apertasse o botão de pausa. Isso é a cara do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). No TAG, a pessoa se preocupa de forma exagerada e difícil de controlar, em vários contextos da vida, e costuma ter sintomas como inquietude, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e alterações do sono. Esses sinais batem muito com o caso apresentado. Já o fato de ela dizer que sempre foi “nervosa” desde jovem reforça a ideia de um padrão crônico, e não de algo episódico. Em termos de classificação clínica, isso é compatível com o que o DSM-5-TR descreve para TAG: ansiedade e preocupação excessivas, na maioria dos dias, por pelo menos 6 meses, sobre diversos eventos ou atividades, com sintomas associados. Na prática, a clínica vem antes da etiqueta, mas aqui a etiqueta encaixa direitinho. Por isso, o gabarito B está correto: o quadro é de ansiedade difusa, persistente e sem gatilho específico, e não de fobia social, pânico ou obsessões. Em concurso, quando aparecer preocupação constante + sintomas físicos + ausência de situação desencadeante específica, pense primeiro em TAG.