O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição (DSM-V), ao tratar do uso de substâncias psicoativas,
- A)enfatiza a dimensão da compulsividade, que passa a ser central na caracterização do uso de substâncias como comportamento patológico.
Correta: o DSM-5 destaca o uso compulsivo e persistente como núcleo do transtorno por uso de substâncias.
- B)ressalta os transtornos mentais orgânicos, separando o psíquico do físico na construção dos critérios diagnósticos no campo de drogas.
Errada: o DSM-5 não separa psíquico e físico dessa forma, nem trabalha com a ideia de transtornos mentais orgânicos como eixo explicativo do uso de drogas.
- C)considera como padrão problemático o uso de substâncias quando há comprometimento ou sofrimento significativo durante um período de dois meses.
Errada: o período diagnóstico considerado é de 12 meses, não de dois meses.
- D)menciona a tolerância ao uso da substância, haja vista a necessidade de quantidades progressivamente menores para atingir a intoxicação ou o efeito desejado.
Errada: tolerância é precisar de quantidades maiores para o mesmo efeito, ou efeito reduzido com a mesma dose, e não quantidades menores.
- E)inclui a fissura como um dos critérios diagnósticos, em que a substância é consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido.
Errada: a descrição dada é de uso em maior quantidade ou por mais tempo do que o pretendido, que é outro critério, não fissura.
Gabarito: A
No DSM-5, o uso de substâncias deixa de ser visto pela velha divisão simplista entre “abuso” e “dependência” e passa a ser enquadrado como transtorno por uso de substância. A lógica é bem mais clínica: o foco está no padrão problemático, com perda de controle, compulsão, prejuízo social e risco, em vez de separar a pessoa em caixinhas rígidas. É por isso que a alternativa A é a correta. O manual dá bastante peso à dimensão da compulsividade e do uso persistente apesar das consequências, que ajuda a caracterizar o comportamento como patológico. Em outras palavras: não é só usar, é continuar usando mesmo quando isso já está cobrando a conta. O DSM-5 trabalha com critérios como tolerância, abstinência, fissura, consumo maior do que o pretendido, tentativas fracassadas de reduzir e prejuízo funcional. O diagnóstico é feito quando há um conjunto desses sinais, dentro de um período de 12 meses, com gravidade graduada conforme o número de critérios presentes. Então, se a questão fala em compulsividade como dimensão central do uso de substâncias, ela está apontando para a ideia que organiza o transtorno no DSM-5. As demais alternativas tropeçam em definição de critério, prazo ou até em conceitos que não pertencem ao modelo atual.