Reginaldo tem 35 anos e sempre apresentou comportamentos impulsivos, extrema dificuldade em regular suas emoções, momentos em que se automutilou e episódios em que desenvolveu crenças delirantes. Segundo o DSM 5, os comportamentos de Reginaldo podem ser sugestivos de
- A)transtorno de personalidade esquizoide.
Errada, porque o transtorno esquizoide é marcado por distanciamento social e frieza afetiva, não por impulsividade, autoagressão e desregulação emocional.
- B)depressão maior.
Errada, porque depressão maior envolve humor deprimido e outros sintomas afetivos, mas não explica o padrão persistente de impulsividade, automutilação e instabilidade interpessoal descrito.
- C)perturbação de personalidade evitante.
Errada, porque a personalidade evitante se caracteriza por inibição social, sentimento de inadequação e hipersensibilidade à crítica, não por autoagressão e episódios com crenças delirantes transitórias.
- D)transtorno de personalidade borderline.
Certa, porque o quadro descrito reúne impulsividade, instabilidade emocional, automutilação e sintomas paranoides/delirantes transitórios compatíveis com transtorno de personalidade borderline no DSM-5.
- E)transtorno obsessivo compulsivo.
Errada, porque o transtorno obsessivo-compulsivo tem obsessões e compulsões, com rigidez e controle excessivo, e não esse padrão de impulsividade e autoagressão.
Gabarito: D
O enunciado descreve um padrão bem característico de instabilidade emocional, impulsividade, autoagressão e ideias paranoides/delirantes transitórias em momentos de estresse. No DSM-5, esse conjunto aponta fortemente para transtorno de personalidade borderline, que é marcado por medo de abandono, relações instáveis, impulsividade, sensação de vazio e comportamentos autolesivos. É aquele quadro em que a emoção parece estar sempre no volume máximo, sem botão de pausa. Um ponto importante é que a presença de crenças delirantes episódicas não afasta o diagnóstico. No borderline, podem surgir sintomas dissociativos ou paranoides transitórios relacionados ao estresse, sem caracterizar necessariamente um transtorno psicótico primário. Então, o detalhe das crenças delirantes, aqui, funciona como pista clínica e não como pegadinha para levar você a outro diagnóstico mais pesado. O DSM-5 descreve o transtorno de personalidade borderline como um padrão persistente de instabilidade na autoimagem, nos relacionamentos interpessoais e nos afetos, com impulsividade acentuada, começando no início da vida adulta e presente em vários contextos. A automutilação e a dificuldade de regular emoções são marcas clássicas desse quadro. Por isso, o gabarito D está correto: Reginaldo apresenta um perfil típico de personalidade borderline, e não de esquizoide, evitante, depressivo ou obsessivo-compulsivo. Em prova, a banca costuma misturar traços emocionais intensos com sintomas psicóticos para ver se você reconhece que, no borderline, isso pode ser transitório e associado ao estresse.