O trabalho da psicologia com grupos tem um papel fundamental no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), sendo um espaço potencial de emancipação e transformação para sujeitos e coletivos no enfrentamento de situações de vulnerabilidade. O trabalho com grupos no SUAS é importante na medida em que:
- A)possibilita o reconhecimento de violações de direitos, a expressão da realidade social e a não culpabilização individual;
Correta, porque o grupo favorece a leitura social da vulnerabilidade, o reconhecimento de violações de direitos e reduz a culpabilização individual.
- B)é a alternativa possível em um cenário de precarização das políticas públicas, mas não a melhor escolha ética;
Errada, pois o trabalho em grupo no SUAS não é um recurso apenas "de quebra-galho", mas uma estratégia ética e central de intervenção.
- C)é uma estratégia de cuidado que deve substituir as psicoterapias, que tendem a ser de alto custo e de difícil acesso para a população;
Errada, porque o grupo não deve substituir psicoterapias de forma automática; no SUAS, ele tem finalidade própria e articulada à proteção social.
- D)prescinde de uma compreensão singularizada dos problemas vivenciados, uma vez que a gênese do sofrimento é social;
Errada, porque mesmo reconhecendo a dimensão social do sofrimento, o SUAS não dispensa a escuta singular de cada sujeito e de sua história.
- E)produz melhor categorização dos sujeitos sociais de acordo com os seus diagnósticos, ofertando intervenções de maior eficácia técnica.
Errada, porque o foco do SUAS não é classificar pessoas por diagnósticos, e sim promover direitos, vínculos e enfrentamento de vulnerabilidades.
Gabarito: A
No SUAS, o trabalho com grupos não é só uma forma prática de atender mais gente ao mesmo tempo. Ele é uma estratégia potente de fortalecimento de vínculos, troca de experiências e leitura coletiva da realidade social. Em vez de olhar o sofrimento como falha individual, a lógica do SUAS busca situar a vulnerabilidade no contexto de direitos violados, pobreza, desigualdade e exclusão. Por isso, grupos no SUAS têm valor quando ajudam a pessoa a perceber que o problema não nasceu "do nada" dentro dela, mas muitas vezes está ligado a condições sociais concretas. Isso reduz a culpabilização individual e abre espaço para reconhecimento de direitos, participação e emancipação. Em linguagem simples: o grupo vira um lugar de fala, escuta e construção de sentido, não de rotulação. Esse entendimento conversa com os fundamentos da Política Nacional de Assistência Social e da NOB/SUAS, que orientam o trabalho socioassistencial pela matricialidade sociofamiliar, territorialização, defesa de direitos e centralidade na proteção social. Na prática, o psicólogo no SUAS deve evitar uma atuação psicologizante e isolada, privilegiando ações coletivas e articuladas à rede. Assim, a alternativa A está correta porque o trabalho com grupos permite reconhecer violações de direitos, expressar a realidade social vivida e evitar a ideia de que o sujeito é o único responsável por sua situação. É exatamente o tipo de abordagem que combina com a lógica do SUAS: menos culpa, mais direitos.