Segundo Freud, a criança vive o apogeu do complexo de Édipo na infância e, com o seu declínio, o sujeito entra em um período marcado pelo aparecimento de sentimentos como o pudor, a repugnância, bem como aspirações morais e estéticas. Corresponde a um período de intensificação do recalque e da sublimação, tendo a criança renunciado do investimento edipiano de objeto pela via de identificação com os seus pais. Trata-se do período
- A)oral.
Errada, porque a fase oral é a primeira etapa do desenvolvimento psicossexual e se relaciona principalmente à boca, alimentação e sucção, não ao declínio do Édipo.
- B)de latência.
Certa, porque a descrição corresponde ao período de latência, marcado por recalque mais intenso, sublimação e identificação com os pais.
- C)sádico anal.
Errada, porque a fase sádico-anal se relaciona ao controle esfincteriano, à autonomia e aos conflitos ligados à limpeza e retenção, não ao momento pós-edipiano.
- D)autoerótico.
Errada, porque autoerotismo é uma característica inicial da sexualidade infantil, em que a satisfação ocorre no próprio corpo, sem a organização típica descrita no enunciado.
- E)narcisismo secundário.
Errada, porque narcisismo secundário envolve o retorno do investimento libidinal ao eu, e não o período de latência após a resolução do complexo de Édipo.
Gabarito: B
Na teoria psicanalítica de Freud, o desenvolvimento infantil passa por fases bem marcadas, e uma das mais importantes é a do complexo de Édipo. Depois do auge desse conflito, a criança não fica “presa” nele para sempre: ocorre um declínio desse investimento nos pais como objetos amorosos, e isso abre espaço para mudanças psíquicas importantes. É justamente aí que entra o período de latência. Nessa fase, a energia psíquica ligada aos impulsos sexuais fica mais recalcada, enquanto ganha força a sublimação, isto é, a transformação dessa energia em atividades socialmente aceitas, como aprender, brincar, competir e desenvolver interesses intelectuais. Freud descreve esse momento como relativamente “calmo” na vida pulsional, com menos manifestação aberta da sexualidade infantil. Além disso, a latência costuma ser associada ao aparecimento de sentimentos como pudor, nojo e aspirações morais e estéticas. Não é por acaso: com a identificação com os pais, a criança vai reorganizando seu laço afetivo e internalizando regras, valores e limites. Em outras palavras, ela vai trocando o investimento edípico direto por uma identificação estruturante. O enunciado descreve exatamente isso. Por isso, o gabarito é a alternativa B, porque ela nomeia o período em que há intensificação do recalque e da sublimação após o declínio do Édipo. É a famosa fase em que a psique dá uma respirada, mas continua trabalhando nos bastidores.