Elaborado por Gastão Wagner Campos na década de 1990, o matriciamento tem servido como base para a construção de um modelo de cuidado colaborativo entre a saúde mental e a atenção primária no Brasil. Com relação ao matriciamento, assinale a afirmativa correta.
- A)Refere-se a uma intervenção psicossocial coletiva realizada apenas pelo profissional de saúde mental.
Errada, porque o matriciamento não é uma intervenção feita apenas pelo profissional de saúde mental, mas um trabalho compartilhado com a equipe de referência.
- B)Trata-se de uma prática que se define de forma precisa dentro dos limites de cada disciplina ou profissão, com o objetivo de promover o cuidado colaborativo.
Errada, porque o matriciamento não se define dentro dos limites rígidos de cada profissão, e sim pela articulação e troca entre saberes.
- C)É análogo à supervisão clínico-institucional, pois o matriciador não pode participar ativamente do projeto terapêutico.
Errada, porque o matriciador pode participar ativamente do cuidado e do projeto terapêutico, inclusive em atendimentos conjuntos.
- D)Consiste em um processo de trabalho interdisciplinar por natureza, com práticas que envolvem intercâmbio e construção do conhecimento.
Certa, porque o matriciamento é um processo de trabalho interdisciplinar, baseado em intercâmbio de conhecimentos e construção compartilhada do cuidado.
- E)Funciona por meio da articulação entre equipes, com o objetivo de encaminhar os usuários ao especialista, que será responsável pelo atendimento individual na área de saúde mental.
Errada, porque a lógica não é apenas encaminhar ao especialista, mas corresponsabilizar as equipes e manter o cuidado compartilhado na atenção primária.
Gabarito: D
O matriciamento, também chamado de apoio matricial, nasceu para quebrar a lógica do "cada um no seu quadrado" entre especialistas e atenção primária. A ideia de Gastão Wagner Campos é justamente criar um arranjo de trabalho compartilhado, em que a equipe de saúde mental não apenas recebe encaminhamentos, mas constrói junto com a equipe da UBS formas de cuidar do usuário, discutir casos, fazer atendimentos conjuntos e organizar o projeto terapêutico. Em vez de transferência pura e simples do caso, existe corresponsabilização. Isso conversa muito com a lógica do SUS e com a Rede de Atenção Psicossocial, que valoriza integralidade e trabalho em rede. Por isso, a alternativa correta é a que descreve o matriciamento como um processo interdisciplinar, com intercâmbio de saberes e construção conjunta do cuidado. O ponto central é que não se trata de uma atuação isolada do especialista, nem de uma supervisão engessada. O matriciador participa ativamente, ajuda a ampliar a capacidade clínica da equipe de referência e favorece o cuidado no território. Na prática, o matriciamento pode envolver discussão de casos, atendimentos compartilhados, construção de plano terapêutico singular e educação permanente. É um modelo que amplia a resolutividade da atenção primária e evita a velha mania de empurrar tudo para o especialista. Em termos doutrinários, a proposta se conecta à reforma psiquiátrica, à atenção psicossocial e ao cuidado em liberdade, com articulação entre níveis e saberes.