De acordo com o Código de Ética Profissional do Psicólogo, “[o] psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” (Resolução CFP nº 010/2005, p. 7). No que se refere à atuação no campo de álcool e outras drogas, considerando a dimensão ético-política da psicologia, o(a) psicólogo(a) deve:
- A)distinguir os usuários cuja perda de autonomia se instaurou, ofertando tutela para que os mesmos possam ser protegidos;
Errada, porque parte de uma lógica tutelar e paternalista, incompatível com a autonomia, a dignidade e a perspectiva de direitos do Código de Ética.
- B)priorizar o trabalho junto à população em situação de rua, sobretudo mulheres gestantes, com práticas predominantemente de recolhimento que garantam seus direitos;
Errada, porque prioriza práticas de recolhimento e proteção compulsória, em vez de cuidado territorial e respeito aos direitos da população em situação de rua.
- C)garantir que a questão das drogas seja circunscrita ao campo da saúde, possibilitando que os usuários tenham acesso às internações hospitalares de que necessitam;
Errada, porque restringe a questão das drogas ao campo da saúde e ainda reforça a internação como resposta central, o que empobrece a abordagem psicossocial.
- D)viabilizar estratégias de cuidado que fortaleçam a possibilidade de abstinência do uso de drogas, tais como as comunidades terapêuticas vinculadas à atenção psicossocial;
Errada, porque coloca a abstinência e as comunidades terapêuticas como eixo principal, sem problematizar a diversidade de estratégias de cuidado e a rede intersetorial.
- E)atuar de modo intersetorial na perspectiva da garantia de direitos, enfrentando a lógica reducionista que aborda a questão das drogas pela via da doença e periculosidade.
Certa, porque propõe atuação intersetorial, com garantia de direitos e crítica à visão reducionista que trata o uso de drogas apenas como doença ou periculosidade.
Gabarito: E
No tema álcool e outras drogas, a psicologia não pode ficar presa a uma lógica de "vigiar, punir e internar". O Código de Ética do Psicólogo, na Resolução CFP nº 010/2005, orienta a promoção da saúde, da qualidade de vida e o enfrentamento de qualquer forma de violência, discriminação e opressão. Isso, na prática, exige olhar a pessoa em sua rede de vida, seus direitos e suas condições concretas de existência. Por isso, a atuação ética nesse campo deve ser intersetorial: saúde, assistência social, educação, direitos humanos, justiça, trabalho e rede comunitária precisam conversar. A ideia não é reduzir o uso de drogas a uma "falha moral" ou a uma mera doença individual, mas entender o fenômeno de forma ampla, com cuidado, vínculo e garantia de direitos. A alternativa E traduz exatamente essa postura: enfrenta a lógica reducionista da doença e da periculosidade e propõe atuação intersetorial na perspectiva da garantia de direitos. Esse é o tipo de resposta que a FGV costuma premiar quando cobra a dimensão ético-política da profissão. Já as demais alternativas escorregam para tutela, recolhimento, internação como solução principal ou adesão acrítica à abstinência como eixo único. Em prova, desconfie sempre que a resposta tratar o usuário como incapaz, perigoso ou objeto de controle, porque isso costuma bater de frente com o Código de Ética e com as diretrizes psicossociais da área.