Davi cometeu o ato infracional em um estado de craving ou fissura pelo crack. No caso de Davi, esse estado pode ser definido como:
- A)um agudo mal estar físico decorrente da síndrome de abstinência da substância depressora.
Errada: descreve abstinência de substância depressora, e não o desejo compulsivo de usar crack.
- B)um esforço malsucedido no sentido de reduzir a quantidade de droga opioide consumida.
Errada: fala de tentativa malsucedida de reduzir o uso, o que remete a perda de controle, não ao craving em si.
- C)a necessidade de doses progressivamente maiores para obter o efeito alucinógeno desejado.
Errada: isso define tolerância, que é a necessidade de doses maiores para obter o mesmo efeito.
- D)um desejo intenso e incontrolável de fazer uso da substância psicoativa estimulante.
Certa: craving é o desejo intenso e incontrolável de consumir a substância psicoativa.
- E)o surgimento de sintomas de euforia, hipovigilância, ansiedade e paranoia.
Errada: lista efeitos possíveis da intoxicação por estimulantes, não a definição de fissura.
Gabarito: D
Craving, ou fissura, é aquele desejo forte, urgente e difícil de controlar de usar a substância. Na prática, é como se a mente ficasse “grudada” na droga, com muita vontade de repetir o consumo, mesmo quando a pessoa sabe que isso pode dar ruim. Em psicopatologia das substâncias, esse termo aparece ligado ao transtorno por uso de substâncias e ao comportamento compulsivo de busca pela droga, especialmente em contextos de dependência. No caso do crack, que é uma substância psicoativa estimulante, o craving costuma ser intenso e pode disparar a busca imediata pela droga, com perda de controle e foco total no consumo. Por isso, o enunciado descreve justamente um desejo intenso e incontrolável de usar a substância, o que define a fissura. A alternativa D está correta porque traduz com precisão o conceito clínico de craving: vontade imperiosa, involuntária e persistente de consumir a substância psicoativa. Não se trata de abstinência, tolerância ou simples tentativa de reduzir o uso, mas de uma urgência subjetiva de consumo. Se quiser uma referência doutrinária, essa definição é compatível com a literatura de psicopatologia e com a descrição do transtorno por uso de substâncias nos manuais diagnósticos, como o DSM-5, que trata o craving como um dos critérios diagnósticos centrais.