João, 40 anos, alcoolista, estava em acompanhamento no CAPS e parou de frequentar a unidade, onde era atendido por uma equipe multidisciplinar. Sobre o emprego da estratégia de busca ativa em um caso como o de João, assinale a afirmativa correta.
- A)A busca ativa pode ser realizada pelo profissional de referência que acompanhava João na efetivação do Programa Terapêutico Singular.
Certa, porque o profissional de referência e a equipe do CAPS podem realizar busca ativa para retomar o vínculo e reavaliar o PTS.
- B)Não cabe busca ativa no tratamento da dependência química, que deve ser feito de forma voluntária pelo paciente.
Errada, porque o tratamento em saúde mental não depende de adesão totalmente passiva do paciente, e a equipe pode procurar quem faltou.
- C)O caso em tela pede a internação involuntária de João pela família para o tratamento de desintoxicação em um Serviço Residencial Terapêutico.
Errada, porque internação involuntária não é a resposta automática e serviço residencial terapêutico não é local de desintoxicação forçada.
- D)Cabe a busca e apreensão de João para internação compulsória, se ele estiver em surto psicótico e/ou em situação de rua.
Errada, porque internação compulsória depende de decisão judicial e situação de rua ou surto não autoriza, por si só, busca e apreensão.
- E)O CAPS se caracteriza por ser um serviço de saúde mental de portas abertas, então não cabe falar em evasão do tratamento.
Errada, porque o CAPS ser porta aberta não elimina evasão, abandono ou necessidade de busca ativa quando o usuário interrompe o acompanhamento.
Gabarito: A
A busca ativa é uma estratégia muito usada na Rede de Atenção Psicossocial para evitar que o usuário se perca do cuidado. Em saúde mental, isso faz bastante sentido porque abandono de acompanhamento não significa falta de necessidade, muitas vezes significa dificuldade de adesão, recaída, vulnerabilidade social ou até desorganização do próprio tratamento. No CAPS, o cuidado é territorial, multiprofissional e construído em torno do Projeto Terapêutico Singular (PTS). Por isso, quando João deixa de frequentar a unidade, a equipe não fica só esperando ele aparecer como num jogo de adivinhação clínica. O profissional de referência, junto com a equipe, pode e deve fazer busca ativa para retomar o vínculo e reorganizar o cuidado. É exatamente isso que a alternativa A descreve: a busca ativa pode ser feita pelo profissional de referência que acompanhava João na efetivação do PTS. Isso está em harmonia com a lógica do CAPS, que trabalha com vínculo, corresponsabilização e continuidade do cuidado, sem abandonar o usuário quando ele falta. As demais opções misturam conceitos. Internação involuntária ou compulsória não é sinônimo de ausência no serviço, e muito menos medida automática para todo caso de alcoolismo. Na saúde mental, a regra é cuidar no território e com o mínimo de restrição possível, recorrendo à internação apenas quando estritamente indicada, nos termos da Lei 10.216/2001.