O modelo de atenção proposto pelo SUS exige a criação de estratégias que vão além dos cuidados individuais para o atendimento das necessidades de saúde da população. Nesse sentido, a formação de grupos na Atenção Básica constitui
- A)espaço importante no qual as pessoas possam falar sobre a vivência do adoecimento ou condição de vida e das maneiras que encontraram de agir no cotidiano, criando novas formas de superação dos seus problemas.
Certa, porque descreve o grupo como espaço de troca, escuta e construção coletiva de estratégias para enfrentar o adoecimento e a vida cotidiana.
- B)local de reprodução do modelo hospitalocêntrico, em que a figura do gestor da instituição é apresentada como autoridade do processo de promoção e produção da saúde, ao qual os membros do grupo devem se submeter.
Errada, porque inverte a lógica do SUS e coloca o grupo como reprodução do modelo hospitalocêntrico e autoritário.
- C)espaço para diagnóstico médico, composto predominantemente por médicos e enfermeiros, dos problemas comuns que afetam a população brasileira, tais como diabetes e hipertensão arterial.
Errada, porque reduz o grupo a um espaço de diagnóstico médico, centrado em profissionais e doenças, e não em cuidado coletivo e integral.
- D)lugar em que são ensinados os conhecimentos corretos para manejo de doenças físicas e psíquicas que afetam à população, com ênfase no manejo acadêmico dos saberes biomédicos e nutricionais.
Errada, porque trata o grupo como aula de saber biomédico, com postura vertical e prescritiva, afastada da proposta de participação e autonomia.
- E)porta de entrada para demanda espontânea na unidade de saúde, incentivando o aumento de procura por atendimento das pessoas com problemas crônicos e agudos.
Errada, porque confunde grupo com porta de entrada para demanda espontânea, quando a função do grupo é muito mais ampla do que atendimento de queixas.
Gabarito: A
No SUS, a Atenção Básica não se limita a consulta individual e receita na mão. A lógica do sistema é cuidar da saúde de forma integral, territorial e coletiva, considerando a pessoa, a família e o contexto de vida. Por isso, os grupos na Atenção Básica são uma estratégia potente: eles juntam pessoas com experiências parecidas para troca, apoio e construção de novas formas de lidar com o adoecimento e com as dificuldades do cotidiano. Essa ideia combina bem com os princípios do SUS, especialmente integralidade, universalidade e participação social. Na prática, o grupo pode servir para educação em saúde, fortalecimento de vínculos, escuta qualificada e autonomia do usuário. Ou seja, não é só “passar informação”, mas criar um espaço de convivência e reflexão onde as pessoas deixam de ser apenas pacientes e passam a ser protagonistas do cuidado. É por isso que o gabarito é a alternativa A. Ela descreve exatamente esse espaço de fala sobre a vivência do adoecimento, sobre a condição de vida e sobre as estratégias que cada um encontra no dia a dia. Isso está de acordo com a proposta da Atenção Básica e com documentos como a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que valoriza ações coletivas, promoção da saúde e cuidado centrado na pessoa e no território. As demais alternativas tentam empurrar o grupo para um modelo mais biomédico, hierarquizado ou hospitalocêntrico, que não é a lógica do SUS na Atenção Básica. Em concurso, sempre desconfie quando a questão transforma grupo em sala de aula rígida, triagem médica ou mini-hospital. O SUS gosta mesmo é de vínculo, escuta e participação.