Clarice sempre jogou tarot profissionalmente e recentemente terminou a graduação em psicologia, tendo se registrado no CRP de Sergipe. Desde que concluiu a formação profissional, a psicóloga passou a divulgar nas redes sociais anúncios de atendimento psicológico acompanhado de jogo de tarot. Segundo as disposições contidas no Código de Ética Profissional do Psicólogo, Clarice
- A)poderá realizar os jogos durante as consultas desde que maneje o tempo das intervenções psicológicas.
Errada, porque o problema não é o tempo da sessão, mas a incompatibilidade ética de associar tarot ao atendimento psicológico.
- B)deverá jogar tarot em todas as consultas pois se comprometeu quando divulgou o serviço.
Errada, pois a divulgação de um serviço não obriga a psicóloga a manter uma prática vedada eticamente nas consultas.
- C)deverá solicitar anuência do Conselho Regional de Psicologia para associar o tarot com os atendimentos psicológicos.
Errada, porque não existe autorização do CRP que legitime a associação de tarot com atendimento psicológico.
- D)não poderá jogar e nem divulgar o tarot como parte dos serviços psicológicos.
Certa, pois o Código de Ética não permite vincular práticas divinatórias ao serviço psicológico nem divulgá-las como parte dele.
- E)não deverá jogar o tarot para pacientes que não estejam abertas à experiência do jogo.
Errada, porque a vedação não depende da abertura subjetiva do paciente, mas da inadequação ética da prática profissional.
Gabarito: D
O Código de Ética Profissional do Psicólogo exige que a atuação seja baseada em conhecimentos científicos e em técnicas reconhecidas pela Psicologia, com responsabilidade e sem misturar a prática profissional com procedimentos sem respaldo técnico. Em outras palavras: no consultório de psicologia, não cabe transformar atendimento em sessão de adivinhação gourmet. Por isso, o tarot não pode ser apresentado nem usado como parte do serviço psicológico. A psicóloga pode até ter suas crenças pessoais e exercer outras atividades fora da Psicologia, mas não pode associar essas práticas ao atendimento psicológico, porque isso confunde o público, fragiliza a qualidade técnica do serviço e fere os deveres éticos da profissão. A questão é resolvida pela lógica do Código de Ética: o psicólogo deve utilizar métodos compatíveis com a ciência psicológica e evitar práticas que desvirtuem a finalidade do atendimento. Então, ao divulgar "atendimento psicológico acompanhado de jogo de tarot", Clarice ultrapassa o limite ético da profissão. Por isso, o gabarito é a letra D: ela não poderá jogar nem divulgar o tarot como parte dos serviços psicológicos. A divulgação já é problemática porque vincula uma prática mística ao exercício profissional da Psicologia, o que é incompatível com as normas éticas do Conselho Federal de Psicologia.