Considerada um problema de saúde pública, a obesidade é uma doença de causalidade multifatorial cujo tratamento é complexo e multidisciplinar. Por esse motivo, a prevenção primária da obesidade ocupa um lugar estratégico na política pública de saúde. Entre as medidas de prevenção primária à obesidade, consta
- A)o tratamento farmacológico para o controle da hipertensão, da diabetes e das taxas elevadas de colesterol.
Errada, porque tratamento farmacológico de hipertensão, diabetes e colesterol elevado atua sobre doenças e complicações já instaladas, não na prevenção primária da obesidade.
- B)o incentivo à prática de exercícios físicos para reduzir o sedentarismo e aumentar o gasto calórico diário.
Certa, porque estimular exercícios físicos reduz sedentarismo e aumenta gasto energético, ajudando a prevenir o surgimento da obesidade.
- C)a educação nutricional voltada à população de maior renda, na qual se observa maior incidência de obesidade mórbida.
Errada, porque educação nutricional é medida preventiva, mas a afirmação limita indevidamente o foco à população de maior renda e ainda traz uma generalização sem base como regra de saúde pública.
- D)o aumento do acesso da população a cirurgias bariátricas na rede pública de saúde.
Errada, porque cirurgia bariátrica é tratamento de casos graves e selecionados, portanto pertence à prevenção terciária ou ao manejo terapêutico, não à prevenção primária.
- E)a mudança nos padrões estéticos, os quais incentivam um ideal de magreza inatingível para a maioria das pessoas.
Errada, porque mudança de padrões estéticos não é uma medida de prevenção primária em saúde pública e ainda mistura um debate cultural com uma estratégia de intervenção sanitária.
Gabarito: B
A obesidade é tratada como um problema de saúde pública porque envolve vários fatores ao mesmo tempo: alimentação, atividade física, ambiente social, hábitos de vida, genética e até condições emocionais. Por isso, a prevenção primária é a mais importante no início da história da doença, antes que o excesso de peso apareça ou se agrave. A ideia é simples: evitar que o problema se instale, em vez de só correr atrás do prejuízo depois. Na prevenção primária, entram medidas que reduzem fatores de risco e estimulam hábitos saudáveis no dia a dia. É exatamente nesse ponto que o incentivo à prática de exercícios físicos faz sentido, porque ajuda a diminuir o sedentarismo e aumentar o gasto calórico diário. Ou seja, não é remédio, nem cirurgia, nem cuidado com complicações já instaladas: é prevenção mesmo. A lógica da saúde pública aqui é de promoção da saúde e prevenção de doenças, algo alinhado com a atuação do SUS, especialmente na Atenção Primária. Em vez de focar só no tratamento da obesidade e das doenças associadas, o foco é criar condições para que a população se mova mais, se alimente melhor e tenha menos risco de adoecer. Por isso, a alternativa B está correta: ela traz uma medida clássica de prevenção primária, com atuação sobre um fator de risco modificável, o sedentarismo. As demais alternativas falam de tratamento de complicações, de público-alvo equivocado ou de estratégias que não pertencem à prevenção primária.