Para a Organização Mundial da Saúde, a saúde mental pode ser considerada um estado de bem-estar vivido pelo indivíduo, que possibilita o desenvolvimento de suas habilidades pessoais para responder aos desafios da vida e contribuir com a comunidade. Analisando o conceito de saúde mental da OMS a partir de uma perspectiva crítica, um dos fatores fundamentais para o trabalho da psicologia nos contextos de saúde é
- A)compreender a saúde mental a partir de aspectos de personalidade e temperamento.
Errada, porque reduz a saúde mental a traços individuais de personalidade e temperamento, ignorando o peso do contexto social.
- B)associar a saúde mental com a manutenção de equilíbrio emocional e resiliência individuais.
Errada, porque trata saúde mental como equilíbrio emocional e resiliência pessoais, o que é uma visão individualizante demais.
- C)identificar a saúde mental como ausência de sofrimento psíquico e de diagnósticos psiquiátricos.
Errada, porque saúde mental não é apenas ausência de doença ou de diagnóstico psiquiátrico; esse raciocínio é simplista e negativo.
- D)correlacionar saúde mental e produtividade, expressa pela capacidade de se inserir e se manter em atividade laboral.
Errada, porque vincula saúde mental à produtividade e ao trabalho, aproximando o conceito de desempenho econômico, não de cuidado em saúde.
- E)considerar que a saúde mental não se reduz a um atributo individual, mas sim inserida nas condições socioculturais de um contexto.
Certa, porque adota uma visão crítica e contextual da saúde mental, entendendo-a como produto também das condições socioculturais.
Gabarito: E
A OMS define saúde mental como um estado de bem-estar em que a pessoa consegue usar suas capacidades, lidar com as tensões da vida, trabalhar de forma produtiva e contribuir com a comunidade. Mas, olhando isso por uma perspectiva crítica, a Psicologia não pode tratar saúde mental como se ela fosse apenas um “jeito de ser” individual, como se tudo dependesse só da cabeça da pessoa. O ponto é lembrar que sofrimento, bem-estar e adoecimento também nascem das condições sociais, econômicas, culturais e históricas em que a vida acontece. Na prática, isso significa que o psicólogo em saúde precisa olhar para além do indivíduo isolado. Não basta perguntar apenas “o que há de errado com você?”, porque muitas vezes o problema está também no contexto: pobreza, violência, racismo, desemprego, sobrecarga de trabalho, exclusão e falta de acesso a serviços. A abordagem crítica da saúde mental entende que o sujeito não vive no vácuo; ele vive em sociedade, e a sociedade pesa. Por isso, o gabarito é a alternativa E. Ela acerta ao dizer que a saúde mental não se reduz a um atributo individual, mas deve ser compreendida dentro das condições socioculturais do contexto. Essa leitura é coerente com a Reforma Psiquiátrica brasileira e com a lógica da atenção psicossocial no SUS, que valorizam a integralidade, o território e os determinantes sociais da saúde. Em resumo: a OMS oferece uma definição ampla, mas a perspectiva crítica aprofunda essa ideia e lembra que saúde mental não é só equilíbrio interno. É também política, cultura, vínculo social e condições concretas de vida. Sim, a mente importa, mas o mundo ao redor também faz barulho.