Spink (2003) destaca que o trabalho do(a) psicólogo(a) junto aos cenários da saúde, suas respectivas populações e instituições implica diversos desafios éticos. Tendo em vista tais contextos, um dos objetivos da atuação do psicólogo(a) é
- A)construir estimativas de risco de doenças mentais crônicas para delinear estratégias educativas.
Errada, porque reduz a atuação do psicólogo à estimativa de risco e a estratégias educativas voltadas a doenças mentais crônicas, o que é estreito demais para a Psicologia da Saúde.
- B)possibilitar que os usuários de um determinado território se transformem em sujeito de psicoterapia.
Errada, porque a atuação no território não se limita a transformar usuários em pacientes de psicoterapia; o trabalho inclui promoção de saúde, prevenção e compreensão do contexto social.
- C)compreender os significados que o processo saúde-doença tem para o sujeito e para os grupos sociais.
Certa, porque o objetivo é compreender os sentidos que o processo saúde-doença assume para sujeitos e grupos sociais, considerando dimensões psicológicas, culturais e sociais.
- D)permitir que o saber popular seja totalizado pelos saberes oficiais, enfatizando o discurso científico.
Errada, porque inverte a lógica do trabalho em saúde ao submeter o saber popular ao saber oficial, quando o esperado é diálogo e valorização das diferentes formas de conhecimento.
- E)contribuir para a normalização de sujeitos e coletivos por meio da promoção do bem-estar biopsicossocial.
Errada, porque traz uma ideia normativa de normalização de sujeitos e coletivos, incompatível com uma atuação em saúde centrada em cuidado, autonomia e singularidade.
Gabarito: C
Na Psicologia da Saúde, o foco não fica só na doença em si, como se o sujeito fosse um prontuário ambulante. A ideia é olhar a experiência de adoecer, de cuidar e de viver a saúde dentro de um contexto social, cultural e institucional. Em outras palavras, o psicólogo precisa entender como cada pessoa e cada grupo atribui sentido ao processo saúde-doença. É exatamente isso que a referência de Spink destaca: a atuação do psicólogo nos cenários de saúde envolve escuta qualificada, leitura do contexto e atenção aos significados produzidos pelos sujeitos e pelos coletivos. Esse olhar é coerente com a lógica da integralidade do SUS, que valoriza a pessoa em sua complexidade e não apenas um diagnóstico. Também conversa com a ideia de humanização do cuidado, tão cobrada em prova. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela traduz corretamente o objetivo da atuação psicológica nesses espaços: compreender os significados que o processo saúde-doença tem para o sujeito e para os grupos sociais. Não é só tratar sintomas ou medir risco; é entender como a vivência da doença, da cura, do sofrimento e do cuidado é construída nas relações e no território. As demais alternativas escorregam para uma visão mais redutora ou medicalizante. Em prova da FGV, isso costuma aparecer com cara de resposta moderna, mas com fundo bem antigo: transformar o psicólogo em gerente de normalidade, de psicoterapia universal ou de discurso científico soberano. Spoiler: a Psicologia da Saúde não gosta desse figurino.