O psicanalista e pediatra D. Winnicott desenvolveu uma teoria crucial para compreender as fases do desenvolvimento humano. Assim, ele elaborou um conceito original que aponta para o objeto escolhido pela criança para realizar a transição de sua primeira relação oral com a mãe para uma verdadeira relação de objeto, separada do corpo materno. Para Winnicott, trata-se do objeto
- A)mortífero.
Errada, porque “mortífero” não é o conceito de Winnicott para essa passagem do vínculo inicial à separação.
- B)pequeno a.
Errada, porque “pequeno a” remete a Lacan, não ao conceito winnicottiano descrito no enunciado.
- C)anal-sádico.
Errada, porque “anal-sádico” é um termo ligado à teoria psicossexual de Freud, não ao objeto escolhido pela criança.
- D)transicional.
Certa, porque o objeto transicional é justamente o objeto intermediário que ajuda a criança na separação progressiva da mãe.
- E)fálico-edipiano.
Errada, porque “fálico-edipiano” pertence à organização psicossexual freudiana, não ao conceito de Winnicott.
Gabarito: D
Winnicott ficou famoso por mostrar que o desenvolvimento emocional do bebê não acontece de forma abrupta, como se a criança simplesmente “saísse” da relação com a mãe e pronto. Entre a dependência total e a separação mais segura, existe uma etapa intermediária muito importante: a dos objetos e fenômenos transicionais. É aí que a criança costuma eleger um objeto especial, como um paninho, uma fralda ou um bichinho, para suportar a passagem entre a presença da mãe e a capacidade de ficar um pouco mais independente. Esse objeto não é um brinquedo qualquer. Ele ajuda a criança a acalmar a angústia de separação e a construir uma ponte entre a realidade interna, cheia de fantasia e segurança, e o mundo externo, onde a mãe já não está disponível o tempo todo. Por isso, Winnicott chama esse objeto de transicional: ele faz a transição entre a relação inicial muito colada ao corpo materno e uma relação de objeto mais autônoma. A lógica da questão está exatamente nisso. O enunciado descreve o objeto escolhido pela criança para fazer essa travessia do vínculo oral inicial com a mãe para uma relação de objeto separada do corpo materno. Na teoria de Winnicott, isso é o objeto transicional. É um conceito clássico da psicologia do desenvolvimento e costuma aparecer em provas para testar se você confunde Winnicott com fases psicossexuais de Freud. Resumo de prova: se a questão falar de paninho, ursinho, conforto na separação, continuidade entre eu e não-eu, pense em Winnicott e em objeto transicional. É quase um “passaporte emocional” da criança.