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Psicologia · FGV · 2025

Questão comentada de Psicologia

Erika, 30 anos, servidora do MPU, requereu algumas das condições especiais de trabalho previstas na Resolução CNMP nº 250/2022 tão logo confirmou sua gestação. Um mal-estar, no entanto, instalou-se em seu setor, com comentários de que “gravidez não é doença” e queixas ostensivas quanto ao ônus que acarretaria aos demais servidores a redistribuição das tarefas até o fim de todas as licenças e tratamentos diferenciados a que Erika faria jus por longo tempo, com visível deterioração do ambiente de trabalho. Considerando a Resolução CNMP nº 265/2023, caberia, como intervenção restaurativa das relações:

Gabarito: D

A questão mistura dois movimentos importantes: de um lado, a proteção da servidora gestante, que tem direito a condições especiais de trabalho; de outro, a resposta institucional quando o clima do setor degrada e aparece discriminação velada, cobrança abusiva e quebra de convivência. Em ambiente de trabalho, não basta “mandar cumprir a norma” e achar que o problema sumiu. Quando a relação já ficou contaminada, a solução precisa ser restaurativa, isto é, voltada para recompor vínculos, responsabilizar sem mero punitivismo e reduzir os riscos psicossociais. A Resolução CNMP nº 265/2023 trabalha justamente com essa lógica de prevenção e enfrentamento de assédio e discriminação no âmbito institucional, privilegiando mecanismos consensuais e restaurativos quando cabíveis. Em vez de isolar a servidora como se ela fosse o problema, a abordagem correta busca tratar o conflito no coletivo, com escuta qualificada, mediação e participação dos envolvidos e da chefia. Isso é especialmente adequado quando o ambiente já apresenta deterioração do convívio e tensão entre necessidades individuais e organização do trabalho. Por isso, o gabarito é a letra D. A medida indicada é a colocação em prática de estruturas de solução de conflitos consensuais e mediadas, com participação de Erika, dos colegas e da chefia, para alcançar autocomposição e superar os riscos psicossociais. Em linguagem bem direta: não se resolve um incêndio emocional só jogando um balde de norma na porta do setor. É preciso reconstruir a convivência. As outras alternativas escorregam justamente por afastarem a lógica restaurativa. Umas propõem deslocar a servidora, outras sugerem punição imediata, outra tenta tratar o problema como fragilidade individual dela. Só que o foco aqui é recompor relações e enfrentar a violência organizacional sem culpar a gestante.

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