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Psicologia · FGV · 2025

Questão comentada de Psicologia

Erika, psicóloga hospitalar, foi acionada para acompanhar Henrique, de 75 anos, internado devido à piora de uma doença degenerativa. Henrique expressou o desejo de receber alta para poder “morrer com dignidade” em sua residência, junto de seus familiares e animais de estimação. Considerando esse quadro, é possível deduzir que

Gabarito: C

A questão gira em torno de cuidados paliativos, autonomia do paciente e limites do tratamento em fase avançada de doença. Em Psicologia da Saúde e na prática hospitalar, nem toda decisão de alta significa abandono: muitas vezes ela pode ser uma forma de reorganizar o cuidado para fora do hospital, com foco em conforto, dignidade e apoio familiar. No caso, Henrique é idoso, tem doença degenerativa em piora e manifesta vontade clara de ir para casa para viver seus últimos momentos com a família e seus animais de estimação. Isso sugere que ele está orientado, compreende sua condição e está expressando uma decisão livre. Em outras palavras, não há sinal, no enunciado, de confusão mental ou negação da realidade; há escolha consciente. A alternativa C é a correta porque respeita a autonomia do paciente e a possibilidade de cuidados paliativos domiciliares. A literatura de bioética e a Resolução CFM nº 1.805/2006 admitem a limitação ou suspensão de procedimentos que apenas prolonguem a vida de forma artificial, quando a doença é irreversível e o foco passa a ser o alívio do sofrimento. Isso não é morte assistida, nem abandono, nem eutanásia: é cuidado centrado na qualidade de vida até o fim. Em prova da FGV, vale lembrar a diferença clássica: ortotanásia é permitir o curso natural da morte, com conforto e sem obstinação terapêutica; já cuidados paliativos podem ocorrer em casa, hospital ou hospice, conforme a necessidade. O detalhe-chave da questão está na dignidade e na vontade do paciente, não em impor a internação como se fosse sinônimo de proteção.

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