O matriciamento é um processo de trabalho interdisciplinar com práticas que envolvem cuidado colaborativo e horizontalização na construção do conhecimento, sendo realizado por diversos profissionais da saúde. Um desafio a ser enfrentado pelo(a) profissional psicólogo(a) na prática do matriciamento é:
- A)o respeito ao sigilo profissional, na medida em que as ações da psicologia na saúde são majoritariamente isoladas;
Errada: o sigilo é importante, mas o matriciamento pressupõe atuação compartilhada e integrada, não ações majoritariamente isoladas.
- B)o déficit de formação da psicologia para o desenvolvimento de modos de intervenção mais tecnicistas;
Errada: o problema não é falta de tecnicismo; ao contrário, o matriciamento exige ampliação do olhar e práticas menos centradas em técnica fechada.
- C)a existência de habilidades inerentes à psicologia, de modo que somente tais profissionais podem realizar aporte assistencial efetivo em saúde mental;
Errada: o matriciamento rompe com a ideia de exclusividade profissional e valoriza o cuidado compartilhado entre diferentes saberes.
- D)a não padronização dessa atividade, pois as ações da psicologia devem ser basicamente as mesmas, a despeito do local de atuação;
Errada: o matriciamento depende justamente de adaptação ao contexto e ao serviço, então não faz sentido exigir ações sempre iguais em qualquer lugar.
- E)o predomínio de encaminhamentos para atendimentos clínicos em detrimento da aposta na articulação do cuidado por equipes de referência.
Certa: um desafio frequente é vencer o excesso de encaminhamentos para clínica individual e fortalecer o cuidado articulado com a equipe de referência.
Gabarito: E
O matriciamento, também chamado de apoio matricial, é uma forma de organizar o trabalho em saúde em que a equipe especializada não fica “jogando a bola” para outro serviço, mas constrói o cuidado junto com a equipe de referência. A ideia é simples e poderosa: compartilhar saberes, discutir casos, ampliar a capacidade de resolução e evitar que o usuário vire peregrino entre serviços. Na prática, isso quebra a lógica do atendimento isolado e favorece ações horizontais, interdisciplinares e centradas no cuidado integral. Na saúde mental, por exemplo, o psicólogo não atua apenas como quem recebe encaminhamentos para consulta individual, mas como alguém que ajuda a equipe a pensar o caso, a condução do cuidado e as estratégias no território. É aí que entra o desafio cobrado pela questão: muitas vezes ainda predomina a cultura do encaminhamento para atendimento clínico, como se a resposta estivesse sempre em “passar para a psicologia”. Só que o matriciamento pede justamente o oposto: articular o cuidado com a equipe de referência, construir planos compartilhados e fortalecer a rede. Isso está em sintonia com a lógica do SUS, especialmente da integralidade, da interdisciplinaridade e do trabalho em rede. Por isso, o item E está correto. Ele descreve um obstáculo real da prática do matriciamento: superar o hábito de encaminhar tudo para atendimento clínico e apostar na corresponsabilização entre os profissionais. Em resumo: menos “encaminha e some”, mais “vamos pensar juntos e cuidar juntos”.