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Psicologia · FGV · 2025

Questão comentada de Psicologia

Clarice é psicóloga clínica e muito religiosa. Na escuta de Lucas, um paciente com ideação suicida, a profissional sugeriu que ele passasse a rezar todas as noites. Diante dessa situação hipotética é correto afirmar que

Gabarito: E

A questão gira em torno de um ponto clássico da ética profissional em Psicologia: o atendimento não pode virar palanque de crença pessoal. A psicóloga pode ter religião, mas isso fica do lado de fora do setting terapêutico quando a sugestão religiosa não é tecnicamente justificada e ainda mais em um caso de ideação suicida, que exige cuidado técnico, avaliação de risco e intervenções baseadas na ciência psicológica. O Código de Ética Profissional do Psicólogo veda usar a profissão para induzir convicções de natureza religiosa, política, filosófica, moral ou ideológica. Em outras palavras: a escuta clínica não é espaço para converter, orientar espiritualidade ou empurrar a fé do profissional para o paciente, como se fosse receita pronta. A religião do paciente até pode ser considerada se ele trouxer isso espontaneamente e se houver pertinência clínica, mas sempre com respeito à autonomia e sem imposição. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela traduz exatamente a vedação ética: a profissional não pode induzir crenças religiosas no exercício profissional. Se o paciente quiser falar sobre espiritualidade, tudo bem; se houver relação com a demanda e com o contexto do próprio paciente, o psicólogo pode acolher o tema com cuidado. O que não pode é usar sua crença como intervenção automática, muito menos como atalho terapêutico. Em temas de ética, a FGV costuma cobrar esse equilíbrio: liberdade de crença do psicólogo existe, mas não autoriza misturar convicção pessoal com atuação profissional. No consultório, a bússola é técnica, ética e respeito à autonomia do paciente, não a fé do profissional.

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