A psicodinâmica do trabalho tem como objeto:
- A)a análise dos processos intersubjetivos, mobilizados pelas situações de trabalho, numa abordagem compreensiva;
Certa: a psicodinâmica do trabalho analisa os processos intersubjetivos mobilizados pelo trabalho, em abordagem compreensiva, como na linha de Dejours.
- B)a análise dos processos objetivos, existentes no ambiente de trabalho, numa abordagem construtivista;
Errada: a psicodinâmica do trabalho não se limita a processos objetivos nem adota abordagem construtivista como característica central.
- C)a análise das relações interpessoais, e dos processos tecnológicos do trabalho, numa abordagem positivista;
Errada: essa alternativa mistura relações interpessoais e tecnologia com uma abordagem positivista, o que não corresponde à psicodinâmica do trabalho.
- D)a análise das relações humanas e entre o ser humano e a tecnologia dos meios de produção, numa abordagem funcional;
Errada: a descrição é mais funcionalista e voltada à adaptação entre pessoas e tecnologia, não à compreensão do sofrimento e do sentido do trabalho.
- E)a análise das relações interpessoais, e dos processos tecnológicos do trabalho, numa abordagem estruturalista.
Errada: embora fale em relações interpessoais e tecnologia, a abordagem estruturalista não é a base da psicodinâmica do trabalho.
Gabarito: A
A psicodinâmica do trabalho, associada especialmente a Christophe Dejours, olha para o trabalho não como um simples conjunto de tarefas, mas como uma experiência humana cheia de sentidos, conflitos, sofrimento e prazer. O foco não está só no que o emprego faz com o corpo ou com a produtividade, mas no que a situação de trabalho mobiliza subjetivamente nas pessoas. Em outras palavras: o trabalho mexe com a cabeça, com a identidade e com as relações do sujeito com o outro e com a própria atividade. Por isso, o objeto da psicodinâmica do trabalho é a análise dos processos intersubjetivos mobilizados pelas situações de trabalho, numa abordagem compreensiva. O termo "intersubjetivos" é a pista importante aqui: a teoria quer entender como os trabalhadores vivem, interpretam e elaboram coletivamente o que enfrentam no cotidiano laboral. Não é uma visão fria e mecânica; é uma leitura voltada para sentido, sofrimento, defesas e reconhecimento. A banca gosta de misturar isso com ideias mais objetivas, tecnicistas ou positivistas, mas aí ela sai do campo da psicodinâmica do trabalho e entra em outras abordagens da Psicologia Organizacional. Dejours é muito usado em concursos justamente por essa ênfase na experiência vivida do trabalho e na relação entre prazer, sofrimento e reconhecimento. Assim, o gabarito A está correto porque descreve exatamente essa perspectiva compreensiva, centrada nos processos subjetivos e intersubjetivos produzidos pela atividade de trabalho, e não apenas nos aspectos materiais, tecnológicos ou estruturais da organização.