A psicodinâmica do trabalho é uma abordagem teórico-técnica desenvolvida pelo psicanalista francês Christophe Dejours, que busca compreender como as demandas do trabalho impactam a saúde mental dos trabalhadores. Dejours introduziu o conceito de “normalidade sofrente” que se refere
- A)ao conjunto de doenças mentais decorrentes de condições laborativas desfavoráveis.
Errada, porque não se trata de um conjunto de doenças mentais, mas de uma forma de equilíbrio psíquico com sofrimento no trabalho.
- B)ao estado de satisfação pessoal obtido pelo condicionamento social e pela realização no trabalho.
Errada, porque o conceito não descreve satisfação pessoal plena, e sim uma normalidade mantida apesar do sofrimento.
- C)à ineficiência das estratégias defensivas adotadas contra o assédio moral no ambiente de trabalho.
Errada, porque o foco não é a ineficiência de defesas contra assédio moral, mas a luta mais ampla contra a desestabilização psíquica provocada pelo trabalho.
- D)ao resultado alcançado na luta contra a desestabilização psíquica provocada pelas pressões do trabalho.
Certa, porque expressa justamente o equilíbrio provisório construído para resistir à desestabilização psíquica causada pelas pressões do trabalho.
- E)à análise das conquistas possíveis quando presente a solidariedade entre os membros do coletivo trabalhador.
Errada, porque solidariedade no coletivo pode ajudar nas defesas e na cooperação, mas isso não define o conceito de normalidade sofrente.
Gabarito: D
A psicodinâmica do trabalho, em Christophe Dejours, olha para o trabalho como algo que pode adoecer, mas também como espaço de invenção de defesas para continuar funcionando. A ideia central é que o trabalhador não é um robô: ele sente pressão, conflito, medo, cobrança e, mesmo assim, tenta manter o equilíbrio psíquico. Quando Dejours fala em “normalidade sofrente”, ele não está dizendo que a pessoa está bem de verdade, nem que virou doente mental. Ele quer mostrar uma situação em que o sujeito aparenta normalidade, segue produzindo e se adaptando, mas isso custa caro: há sofrimento psíquico sustentado por estratégias individuais e coletivas de defesa. Por isso, o conceito se refere ao resultado da luta contra a desestabilização psíquica provocada pelas pressões do trabalho. Em outras palavras: a pessoa não está livre do sofrimento, ela está se equilibrando na corda bamba para não descompensar. É quase um “estou dando conta”, mas com preço emocional alto. Esse é o ponto que a FGV gosta de cobrar: não confunda normalidade sofrente com ausência de sofrimento, com doença instalada ou com simples satisfação no trabalho. Em Dejours, a normalidade pode existir justamente porque o sujeito constrói defesas para suportar o que o trabalho faz com ele.