É inegável a importância da obra de Martin-Baró e de seu trabalho em El-Salvador, pois no lugar de uma concepção universalista característica da psicologia social tradicional, ele propõe uma psicologia social baseada na dialética, portanto, crítica, libertadora e que tenha compromisso com as classes marginalizadas. A respeito da perspectiva de processo grupal, fundamental em seu pensamento, assinale a afirmativa correta.
- A)O grupo humano pode ser reduzido à mera soma de seus membros.
Errada, porque Martin-Baró não reduz o grupo à soma dos indivíduos; ele critica exatamente essa visão simplista e atomizada.
- B)A sua teoria aplica-se a grupos pequenos e não a grupos maiores, como igreja ou trabalho.
Errada, porque sua abordagem não se limita a pequenos grupos, já que também permite analisar instituições e coletivos maiores inseridos na realidade social.
- C)A teoria dialética sobre os grupos deve dar ênfase aos elementos subjetivos das relações.
Errada, porque a perspectiva dialética não enfatiza apenas o subjetivo; ela articula subjetividade com as condições objetivas e históricas.
- D)O pertencimento da pessoa a um grupo pressupõe que ela tem consciência de pertencer a este grupo.
Errada, porque o pertencimento grupal não depende necessariamente de consciência explícita do sujeito, já que há dimensões sociais e estruturais envolvidas.
- E)O grupo refere-se a seus membros e à sociedade em que se produz, assim, ambas as dimensões, pessoal e estrutural, estão intrinsecamente ligadas.
Certa, porque o grupo deve ser entendido em relação aos seus membros e ao contexto social em que se produz, unindo dimensão pessoal e estrutural.
Gabarito: E
Martin-Baró, na Psicologia da Libertação, critica a ideia de que o grupo seja só um amontoado de indivíduos isolados. Para ele, o grupo precisa ser entendido dentro da realidade histórica e social em que vive, porque as relações grupais nascem e se transformam junto com as condições concretas da sociedade. Na perspectiva de processo grupal, isso significa olhar ao mesmo tempo para o lado pessoal e para o lado estrutural. Ou seja, não basta pensar nas emoções, nas falas e nos vínculos internos do grupo; é preciso considerar também trabalho, classe social, poder, exclusão e as formas de opressão que atravessam esse coletivo. O grupo não flutua no ar, ele existe no mundo real, com conflito, desigualdade e história. É justamente por isso que a alternativa E está correta: ela mostra que o grupo se refere aos seus membros e à sociedade em que se produz, ligando dimensão pessoal e dimensão estrutural de forma inseparável. Essa leitura é bem alinhada com a psicologia social crítica de Martin-Baró, que troca o olhar universalista por uma análise dialética e comprometida com os marginalizados. As demais alternativas caem em simplificações comuns: ou reduzem o grupo a indivíduos, ou limitam a teoria a pequenos grupos, ou tratam pertencimento como algo puramente consciente. Martin-Baró vai no caminho oposto: grupo é relação, contexto e história, tudo junto.