Cláudia é psicóloga em uma clínica onde são realizados procedimentos de cirurgia plástica. Ela faz a avaliação psicológica dos pacientes encaminhados pela equipe médica com foco em diferentes aspectos, como as motivações subjacentes, as expectativas com relação aos resultados do procedimento e a preparação emocional para lidar com os desafios da fase pós-cirúrgica. Cláudia faz entrevistas semidirigidas, aplica testes projetivos e faz uso de seus conhecimentos de radiestesia para reunir as informações necessárias para os documentos psicológicos. Com fundamento na legislação do Conselho Federal de Psicologia (CFP) a respeito da avaliação psicológica, é correto afirmar que:
- A)a psicóloga Cláudia tem como dever utilizar princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional;
Correta: a atuação em avaliação psicológica deve se apoiar em princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência, na ética e na legislação profissional.
- B)Cláudia pode fazer uso de recursos terapêuticos e diagnósticos não regulamentados pelo CFP, desde que com o conhecimento e consentimento expresso dos pacientes;
Errada: consentimento do paciente não autoriza o uso de recursos terapêuticos ou diagnósticos sem respaldo técnico-científico e normativo do CFP.
- C)o Ministério da Saúde reconhece e relaciona as práticas integrativas e complementares em saúde que podem ser utilizadas no SUS, decisão a que o CFP fica automaticamente vinculado;
Errada: o reconhecimento de práticas pelo Ministério da Saúde para o SUS não vincula automaticamente o CFP nem torna essas práticas válidas como instrumento de avaliação psicológica.
- D)Cláudia pode se valer de técnicas não convencionais e habilidades de seu repertório pessoal vivencial para elaborar o psicodiagnóstico dos pacientes, devendo fazê-las constar no laudo de forma explícita;
Errada: técnicas não convencionais e habilidades pessoais vivenciais não podem fundamentar psicodiagnóstico nem laudo psicológico de forma livre.
- E)a radiestesia não é um instrumento validado pelo CFP, mas seu uso é admitido dentro do princípio de que o psicólogo deve contribuir para a produção de conhecimento e desenvolvimento de novas tecnologias.
Errada: a radiestesia não é instrumento validado para avaliação psicológica e não pode ser justificada pelo argumento genérico de produção de conhecimento ou novas tecnologias.
Gabarito: A
A avaliação psicológica, no sistema CFP, não é um passeio livre pelo improviso. Ela deve ser feita com base em princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, além de respeitar a ética e a legislação profissional. Em provas, isso aparece muito quando a banca mistura testes, entrevistas e práticas sem respaldo científico para ver se voce separa psicologia de "achismo com crachá". No caso, Cláudia até pode usar entrevista semidirigida e testes projetivos, desde que sejam instrumentos adequados e reconhecidos para a finalidade proposta. O problema está no uso da radiestesia: isso não integra o rol de métodos psicológicos validados e não pode servir de base para avaliação, laudo ou psicodiagnóstico. O CFP exige fundamentação técnico-científica, não repertório pessoal vivencial. A alternativa A está correta porque repete exatamente a lógica normativa da atuação profissional: o psicólogo deve usar métodos e técnicas cientificamente reconhecidos, com observância da ética e da legislação. Essa diretriz aparece de forma consistente no Código de Ética Profissional do Psicólogo e nas normas do CFP sobre avaliação psicológica e elaboração de documentos psicológicos. Em resumo: na avaliação psicológica, a régua é ciência e responsabilidade técnica. Se a prática não tem sustentação científica e normativa, ela pode até parecer sofisticada, mas para o CFP continua sendo fora de jogo.