Beatriz, 20 anos, tem bulimia nervosa desde a adolescência e, por fim, concordou em passar por uma entrevista psicológica. A escolha da abordagem da entrevista motivacional pelo terapeuta nesse contexto visa a:
- A)corrigir as percepções distorcidas que Beatriz apresenta com relação a sua imagem corporal;
Errada, porque corrigir distorções da imagem corporal se relaciona mais a intervenções cognitivas, não ao objetivo central da entrevista motivacional.
- B)lidar com a ambivalência e estimular a prontidão de Beatriz para a mudança e adesão ao tratamento;
Certa, porque a entrevista motivacional busca trabalhar a ambivalência e aumentar a prontidão para a mudança e a adesão ao tratamento.
- C)inibir a compulsão alimentar de Beatriz por meio de um sistema de recompensas para os comportamentos desejáveis;
Errada, porque sistema de recompensas é típico de técnicas comportamentais, não da entrevista motivacional.
- D)estimular Beatriz a ampliar sua rede de contatos sociais e de interesses, retirando seu foco de grupos que incentivam os transtornos alimentares;
Errada, porque ampliar rede social pode ser uma estratégia terapêutica, mas não define a finalidade da entrevista motivacional.
- E)promover em Beatriz o reconhecimento dos gatilhos que a levam ao padrão comportamental de ingestão de quantidades insuficientes de nutrientes.
Errada, porque reconhecer gatilhos é importante em diversas intervenções, mas essa descrição não corresponde ao foco da entrevista motivacional nem ao quadro de bulimia.
Gabarito: B
A entrevista motivacional é uma abordagem muito usada quando a pessoa até reconhece o problema, mas ainda está dividida entre mudar e continuar como está. Ela não entra como um "sermão" nem como uma técnica para convencer na marra. O foco é ajudar o paciente a falar sobre a própria ambivalência, aumentar a motivação interna e fortalecer a prontidão para a mudança. Em vez de empurrar, o terapeuta puxa a conversa para que a pessoa encontre seus próprios motivos para mudar. No caso de Beatriz, que convive com bulimia nervosa e finalmente aceitou a entrevista, a ideia central é trabalhar essa oscilação entre resistência e desejo de melhorar. Isso é exatamente o coração da entrevista motivacional: explorar ambivalência, reduzir resistência e favorecer adesão ao tratamento. É uma técnica muito associada a Miller e Rollnick, especialmente útil em transtornos alimentares, uso de substâncias e outras situações em que a mudança comportamental depende de engajamento real do paciente. Por isso, a alternativa B está correta: o objetivo não é corrigir diretamente a imagem corporal, nem impor controle por recompensas, nem simplesmente ampliar rede social, nem apenas identificar gatilhos alimentares. Tudo isso pode aparecer em outros tipos de intervenção, mas a entrevista motivacional tem uma missão mais específica e elegante, quase como dizer: "vamos ouvir o conflito interno até ele começar a trabalhar a favor da mudança". Em prova, guarde esta lógica: entrevista motivacional não é técnica de confronto, e sim de fortalecimento da motivação para mudar. Se a banca descreve ambivalência, adesão e prontidão para mudança, acenda a luz verde.