Claudia é psicóloga no CRAS de seu bairro e, ao fazer um atendimento, percebeu que a jovem Angélica, que estava acompanhada da filha Aline de 4 anos, tinha marcas de possível agressão no rosto e no braço. Angélica disse para a psicóloga que havia caído de uma escada, mas Aline falou que “o papai bate na mamãe todo dia”. Diante dessa situação, é dever de Claudia
- A)garantir a proteção de Angélica por meio de orientação quantos aos direitos e da denúncia de violência doméstica.
Correta, porque diante de indícios de violência doméstica a psicóloga deve acolher, orientar sobre direitos e acionar a rede de proteção e denúncia competente.
- B)convidar o marido de Angélica para comparecer ao CRAS para um atendimento familiar.
Errada, porque convocar o suposto agressor pode aumentar o risco da vítima e não é a providência principal diante de suspeita de violência.
- C)respeitar a autonomia de Angélica e seu desejo de preservar seu casamento e manter sua família unida.
Errada, porque a autonomia da usuária não afasta o dever profissional de proteção quando há indícios de violência e risco à integridade física e psicológica.
- D)efetuar o acolhimento institucional de Aline para afastá-la do ambiente doméstico violento.
Errada, porque acolhimento institucional de criança é medida extrema e não cabe automaticamente; depende de avaliação e decisão da rede/proteção social e do sistema de garantia de direitos.
- E)fazer o atendimento de Aline considerando que crianças dessa faixa etária fantasiam os fatos.
Errada, porque a fala da criança não pode ser descartada como fantasia sem investigação e encaminhamento; além disso, há sinais objetivos de possível violência.
Gabarito: A
Quando a psicóloga identifica sinais de violência doméstica, ela não pode fingir que viu um simples tropeço da vida. Em serviço socioassistencial, como o CRAS, a atuação precisa proteger a usuária, acolher a fala e acionar a rede de proteção, sempre com responsabilidade e sigilo na medida do possível. O sigilo profissional não serve para encobrir situação de risco grave, sobretudo quando há indícios de violência contra mulher e possível criança exposta ao ambiente violento. No caso, Claudia percebe marcas físicas, recebe uma explicação pouco convincente e ainda ouve da criança uma fala direta sobre agressões do pai. Isso aciona o dever ético e legal de proteção e encaminhamento, com orientação sobre direitos e comunicação/denúncia da violência aos órgãos competentes. A lógica aqui é prevenir dano e quebrar o ciclo de violência, não esperar a tragédia virar rotina. A Lei Maria da Penha reforça a necessidade de prevenção, atendimento e encaminhamento da mulher em situação de violência, e as normas profissionais da Psicologia também exigem atuação responsável diante de violação de direitos. Em termos práticos: acolhe, orienta, registra e aciona a rede. Psicologia não é plateia neutra quando há violência em curso. Por isso, o gabarito é a alternativa A: Claudia deve garantir a proteção de Angélica por meio de orientação sobre seus direitos e da denúncia de violência doméstica, buscando a rede de proteção adequada.