Bianca está acolhida há 6 meses, ainda sem definição jurídica sobre sua situação. O Marco Legal da Primeira Infância reconhece a importância desse período inicial da vida para o desenvolvimento infantil. De acordo com as teorias que abordam o desenvolvimento emocional e cognitivo dos bebês, assinale a afirmativa correta.
- A)D. W. Winnicott destacou a figura da “mãe perfeita”, cuja presença sensível e responsiva é fundamental para o desenvolvimento emocional saudável do bebê.
Errada: Winnicott não falou em "mãe perfeita", e sim em "mãe suficientemente boa", destacando um cuidado responsivo, não perfeição.
- B)John Bowlby criou a Teoria do Apego, defendendo que o vínculo seguro e insubstituível com os genitores é condição indispensável para o desenvolvimento emocional e social do bebê.
Errada: Bowlby realmente criou a Teoria do Apego, mas não defendeu vínculo exclusivo e insubstituível com os genitores, e sim a importância de uma figura de apego estável.
- C)Melanie Klein enfatizou a importância do aleitamento materno no seio bom no primeiro ano de vida para a construção do mundo interno do bebê.
Errada: Melanie Klein valorizou as fantasias, relações de objeto e os seios bom e mau, mas a frase exagera ao colocar o aleitamento como foco central e exclusivo da teoria.
- D)Jean Piaget Investigou o desenvolvimento cognitivo e apontou o período pré-operatório (0-2 anos) como essencial para a construção do vínculo com o mundo.
Errada: Piaget estudou o desenvolvimento cognitivo, mas o período sensório-motor vai de 0 a 2 anos; o pré-operatório começa depois, aproximadamente dos 2 aos 7 anos.
- E)René Spitz pesquisou os efeitos da privação materna e identificou a depressão anaclítica, uma grave regressão emocional e física em bebês privados do contato adequado com a mãe ou substituto.
Certa: Spitz estudou a privação materna e descreveu a depressão anaclítica como uma grave reação de sofrimento em bebês privados de contato afetivo adequado.
Gabarito: E
A questão mistura autores clássicos do desenvolvimento infantil e pede atenção aos estudos sobre vínculo, privação e primeiras relações do bebê. Na primeira infância, o bebê depende muito do cuidado consistente de um adulto para organizar afeto, segurança e contato com o mundo. É exatamente aí que a Psicologia do Desenvolvimento adora colocar armadilhas com nomes parecidos e ideias parecidas. O gabarito é a letra E porque René Spitz estudou os efeitos da privação materna e descreveu a depressão anaclítica: quando o bebê perde o contato afetivo adequado com a mãe ou com quem a substitua, pode apresentar retraimento, tristeza, perda de apetite, atraso no desenvolvimento e regressão emocional e física. Em outras palavras, não é drama de bebê mimado, é um quadro sério de privação afetiva. Esse tema conversa bem com a proteção integral prevista no ECA e com o foco do Marco Legal da Primeira Infância, que reconhece a centralidade dos primeiros anos para o desenvolvimento saudável. A ideia não é exigir presença biológica a qualquer custo, mas cuidado estável, responsivo e contínuo, porque é isso que protege o bebê. As bancas costumam trocar os autores: Winnicott é mais associado à mãe suficientemente boa, Bowlby ao apego, Spitz à privação materna e Piaget ao desenvolvimento cognitivo. Quando você identifica essa divisão, metade da questão já caiu no colo.