Maiara exerce a atividade profissional de perita psicológica, prestando assessoramento ao sistema de Justiça. Por isso, foi designada para realizar a avaliação de um caso de litígio familiar que envolve aspectos relacionados à insegurança alimentar e à saúde mental. A respeito do processo avaliativo realizado por Maiara, assinale a afirmativa correta.
- A)O uso de testes psicológicos tem como único objetivo conferir legitimidade ao laudo psicológico.
Errada: testes psicológicos não servem para “legitimar” laudo, mas para compor uma avaliação tecnicamente fundamentada, quando forem pertinentes ao caso.
- B)Em atendimentos com finalidade jurídica, é comum que as pessoas verbalizem espontaneamente seus pensamentos sem censurá-los.
Errada: em contexto jurídico, as falas costumam ser mais controladas, e não mais espontâneas, porque as pessoas sabem que o que disserem pode repercutir no processo.
- C)Maiara pode dispensar a escuta de uma das partes da lide se dispor de provas documentais a seu respeito, formulando assim, conclusões psicológicas relativas a ela.
Errada: prova documental não substitui a escuta da parte, porque a conclusão psicológica exige avaliação direta e integrada de fontes, sem presumir algo sobre quem não foi ouvido.
- D)Cabe a Maiara entrevistar ambas as partes do processo e conduzir a avaliação com imparcialidade, mesmo atuando como assistente técnica e não como perita.
Errada: a alternativa mistura papéis; assistente técnico não atua como perito imparcial, pois sua função é acompanhar e subsidiar a parte, e não produzir a mesma posição isenta da perícia.
- E)Pode ser necessário encaminhar as famílias para a inclusão em políticas sociais específicas, sendo também atribuição da(o) psicóloga(o) jurídica(o) contribuir na composição da rede pública de assistência e de saúde.
Certa: a Psicologia Jurídica pode demandar encaminhamentos para políticas sociais e articulação com a rede de assistência e saúde, sobretudo em casos com vulnerabilidade como insegurança alimentar e sofrimento mental.
Gabarito: E
Em Psicologia Jurídica, a atuação da(o) psicóloga(o) não se limita a “dar um veredito” sobre a pessoa. O trabalho envolve compreender o contexto familiar, social, econômico e de saúde que cerca o litígio, porque muitas vezes o conflito judicial vem acompanhado de vulnerabilidades bem concretas, como insegurança alimentar, sofrimento psíquico e ruptura de rede de apoio. Nesses casos, a avaliação pode apontar não só aspectos psicológicos, mas também a necessidade de articulação com a rede de proteção social e de saúde. Isso é coerente com a função social da Psicologia e com a lógica do atendimento intersetorial, especialmente quando a situação da família pede encaminhamento para assistência social, saúde e políticas públicas específicas. Por isso, a alternativa E está correta: a(o) psicóloga(o) jurídica(o) pode sim contribuir para a composição da rede pública de assistência e de saúde, inclusive sugerindo encaminhamentos quando o caso exigir. Não é “extrapolar” a função psicológica; ao contrário, é agir de forma tecnicamente adequada diante de uma demanda que ultrapassa a análise individual e pede cuidado integrado. Já no contexto pericial, o foco não é agradar a uma parte nem substituir prova documental por chute técnico. A avaliação psicológica deve ser baseada em múltiplas fontes, com imparcialidade, método e cuidado ético. O CFP, especialmente nas normas sobre avaliação psicológica e atuação em Psicologia Jurídica, reforça que o trabalho deve ser fundamentado e articulado com a rede de proteção quando necessário.