A trajetória do jornalista Maurício Kubrusly é o tema de um documentário em que se retrata momentos de sua rotina a partir do diagnóstico da doença neurológica que o acometeu. Sobre essa condição é possível apontar que
- A)a demência frontotemporal tem como característica principal o surgimento de sintomas psicóticos e/ou depressivos em pacientes que apresentavam um funcionamento normal.
Errada: a demência frontotemporal não tem como característica principal sintomas psicóticos e/ou depressivos, e sim alterações comportamentais e de linguagem.
- B)a demência frontotemporal é um transtorno do neurodesenvolvimento degenerativo e incapacitante que acomete preferencialmente pessoas idosas.
Errada: ela não é transtorno do neurodesenvolvimento, mas uma doença neurodegenerativa adquirida, geralmente de início mais precoce que outras demências.
- C)transtorno cognitivo frontotemporal ou demência senil é uma das manifestações neurológicas e clínicas da doença de Alzheimer.
Errada: não é uma manifestação da doença de Alzheimer, pois se trata de uma entidade clínica distinta, com perfil próprio de sintomas e evolução.
- D)mudanças de comportamento e/ou declínio da capacidade linguística são critérios para o diagnóstico do transtorno neurocognitivo frontotemporal.
Certa: mudanças de comportamento e/ou declínio da linguagem são critérios centrais para o diagnóstico do transtorno neurocognitivo frontotemporal.
- E)o transtorno neurocognitivo frontotemporal é tratável e pode até regredir com terapêutica adequada desde que diagnosticado em estágios precoces.
Errada: trata-se de condição neurodegenerativa progressiva, sem regressão com tratamento; a terapêutica pode aliviar sintomas, mas não reverter a doença.
Gabarito: D
A demência frontotemporal, hoje chamada também de transtorno neurocognitivo frontotemporal, é uma doença neurodegenerativa que costuma aparecer com alterações marcantes de comportamento, personalidade e linguagem. Ela não começa, em regra, como um quadro “clássico” de perda de memória, como muita gente associa de imediato a qualquer demência. O foco inicial costuma estar em desinibição, apatia, perda de empatia, impulsividade ou dificuldade importante de linguagem. Por isso, quando a banca fala em mudanças de comportamento e/ou declínio da capacidade linguística, ela está apontando justamente o núcleo clínico do diagnóstico. Esse padrão aparece nos critérios diagnósticos descritos pelo DSM-5-TR e também pela literatura neurológica, que destacam a variante comportamental e as variantes de linguagem como apresentações típicas. É importante não confundir com doença de Alzheimer. Embora ambas sejam doenças neurodegenerativas, a frontotemporal tem perfil diferente de início, evolução e sintomas dominantes. Também não é um transtorno do neurodesenvolvimento, porque não surge na infância nem é um problema de desenvolvimento, e sim uma degeneração adquirida do sistema nervoso. Assim, o gabarito está na alternativa D porque ela descreve os sinais centrais que sustentam o diagnóstico do transtorno neurocognitivo frontotemporal: alteração comportamental e/ou comprometimento da linguagem. Em prova, quando aparecer esse tema, pense primeiro em comportamento e fala, antes de correr para a memória.