Emergências e desastres impactam de forma trágica indivíduos e comunidades, não apenas no plano material, mas também no emocional. Entre as abordagens utilizadas na intervenção em crises, destacam-se aquelas voltadas à reestruturação de pensamentos disfuncionais e ao desenvolvimento de estratégias de enfrentamento mais saudáveis. Essas intervenções têm como referencial técnico
- A)a psicologia fenomenológica de E. Husserl.
Errada, porque a psicologia fenomenológica de Husserl foca na experiência vivida e na descrição do fenômeno, não na reestruturação de pensamentos disfuncionais.
- B)a terapia cognitivo-comportamental de Aaron Beck.
Certa, porque a terapia cognitivo-comportamental de Aaron Beck trabalha justamente a identificação e a reestruturação de pensamentos disfuncionais e o desenvolvimento de enfrentamentos mais adaptativos.
- C)a psicologia positiva de Martin Seligman.
Errada, porque a psicologia positiva de Seligman valoriza forças, bem-estar e resiliência, mas não é o referencial clássico para reestruturação cognitiva em crise.
- D)a psicologia humanista de Carl Rogers.
Errada, porque a psicologia humanista de Carl Rogers enfatiza empatia, aceitação e autenticidade, e não a técnica de modificar cognições disfuncionais.
- E)a análise transacional de Eric Berne.
Errada, porque a análise transacional de Eric Berne trabalha estados do ego e relações interpessoais, não sendo o eixo técnico pedido no enunciado.
Gabarito: B
Em situações de emergência e desastre, a intervenção em crise costuma buscar algo bem prático: reduzir o sofrimento imediato, organizar o pensamento e ajudar a pessoa a encontrar formas mais funcionais de lidar com o que aconteceu. Nessa lógica, não basta acolher emocionalmente; é comum trabalhar a leitura que a pessoa faz do evento, porque pensamentos muito negativos ou distorcidos podem aumentar ansiedade, desespero e sensação de incapacidade. É exatamente por isso que o referencial mais associado a esse tipo de intervenção é a terapia cognitivo-comportamental de Aaron Beck. A TCC parte da ideia de que emoções e comportamentos são influenciados pela forma como interpretamos as situações. Se a interpretação está “fora de eixo”, a resposta emocional também tende a sair do controle. Então, a intervenção ajuda a reestruturar esses pensamentos e a construir estratégias de enfrentamento mais saudáveis. Em linguagem de prova: crise pede foco, objetividade e manejo de cognições disfuncionais. A TCC é uma das abordagens mais lembradas quando o enunciado fala em reestruturação cognitiva, enfrentamento, adaptação e redução de sintomas em curto prazo. É o tipo de pegadinha elegante da banca: ela troca o rótulo da técnica, mas entrega a pista no miolo do texto. As demais alternativas trazem abordagens importantes, mas com outro foco. Fenomenologia, humanismo, psicologia positiva e análise transacional não são o núcleo conceitual da reestruturação de pensamentos disfuncionais em crise. Por isso, o gabarito é a letra B.