Regina está preocupada com seu filho Rodrigo, 18 anos, que, desde o final de um namoro há 3 meses, largou os estudos e passa o dia em casa, trancado no quarto, sem querer comer e tomar banho. Considerando a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), assinale a opção que indica a porta de entrada para um atendimento em saúde mental para Rodrigo.
- A)O CAPSi.
Errada, porque o CAPSi atende especificamente crianças e adolescentes, e Rodrigo já tem 18 anos.
- B)O Serviço Residencial Terapêutico.
Errada, porque o Serviço Residencial Terapêutico é destinado à desinstitucionalização de pessoas com longa internação psiquiátrica, não à entrada inicial do caso.
- C)A unidade básica de saúde de seu bairro.
Certa, porque a unidade básica de saúde é a porta de entrada preferencial na RAPS para acolhimento e organização do cuidado em saúde mental.
- D)Um leito de psiquiatria no hospital municipal.
Errada, porque leito psiquiátrico hospitalar é recurso de internação para situações mais graves ou crise, e não a porta de entrada usual.
- E)O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Errada, porque o SAMU atua em urgências e emergências, não como serviço de entrada rotineira para acompanhamento em saúde mental.
Gabarito: C
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) foi organizada para que a pessoa com sofrimento mental seja acolhida o mais cedo possível, perto de onde vive e com cuidado em rede. Na lógica da RAPS, a atenção básica, especialmente a unidade básica de saúde (UBS), costuma ser a porta de entrada preferencial para o cuidado em saúde mental, porque faz o primeiro acolhimento, avalia a gravidade e encaminha, quando necessário, para outros pontos da rede. Isso vem da organização do SUS pela universalidade, integralidade e coordenação do cuidado, reforçada pela Política Nacional de Saúde Mental e pela Portaria GM/MS nº 3.088/2011, que instituiu a RAPS. No caso de Rodrigo, ele tem sinais de sofrimento importante, mas isso não significa que a entrada obrigatória seja um serviço especializado de imediato. A lógica do sistema é começar pela UBS do bairro, que pode fazer escuta, avaliação inicial e articulação com CAPS, urgência ou outros serviços, se houver necessidade. A rede funciona como uma escada bem planejada, e não como um corredor com uma única porta de acesso. O CAPSi não é a porta de entrada aqui porque é voltado para crianças e adolescentes, e Rodrigo tem 18 anos. O serviço residencial terapêutico é para pessoas que precisaram sair de longas internações psiquiátricas, o que não é o caso narrado. Leito psiquiátrico e SAMU são recursos de retaguarda, geralmente usados em crise aguda ou risco iminente, não como porta de entrada habitual. Portanto, a alternativa correta é a unidade básica de saúde do bairro. Em prova de RAPS, pense assim: primeiro acolhimento e organização do cuidado na atenção básica; especialidades e urgência entram depois, quando a situação pede.