Frantz Fanon é um nome central nos estudos culturais, pós-coloniais e africano-americanos, conhecido por sua vigorosa crítica ao racismo. A obra do psiquiatra e filósofo político martinicano é de grande importância por desvelar os efeitos traumáticos da dominação colonial na subjetividade, inscrevendo-se como referência fundamental para o estudo do psiquismo e das determinações sociais. De acordo com a sua teoria,
- A)o combate às epistemologias colonialistas se faz por meio da abstração de conceitos universais.
Errada, porque Fanon não aposta em abstrações universais para combater o colonialismo, e sim na crítica concreta às estruturas que produzem a dominação racial.
- B)a psicologia deve se espelhar no modelo das ciências naturais para lançar luz sobre o ser negro.
Errada, porque Fanon não propõe uma psicologia nos moldes das ciências naturais para entender o negro; sua análise é histórica, política e subjetiva.
- C)apesar de a teoria ser distinta da práxis política, é importante aplicar o conhecimento científico sobre as relações sociais.
Errada, porque em Fanon teoria e práxis política caminham juntas, e o conhecimento sobre as relações sociais serve justamente para denunciar e transformar a opressão.
- D)o discurso essencialista característico do colonialismo impede o negro de se constituir enquanto sujeito nas relações sociais.
Certa, porque Fanon mostra que o discurso colonial essencialista reduz o negro a uma identidade fixa e impede sua constituição plena como sujeito social.
- E)o racismo será derrotado quando forem criadas oportunidades idênticas de acesso de brancos e negros aos postos de trabalho.
Errada, porque Fanon não trata o racismo como simples falta de igualdade de acesso ao trabalho, mas como uma estrutura colonial profunda que afeta a subjetividade e as relações sociais.
Gabarito: D
Frantz Fanon analisou o colonialismo não como um simples arranjo político, mas como uma máquina que entra na cabeça das pessoas e molda identidade, corpo, linguagem e desejo. Em obras como Pele negra, máscaras brancas e Os condenados da terra, ele mostra que o racismo colonial não é só exclusão material: ele produz inferiorização subjetiva, vergonha e desumanização do negro. Por isso, na leitura fanoniana, o colonialismo não apenas discrimina de fora para dentro. Ele cria um discurso essencialista, que define o negro como ser fixo, inferior e sem plena humanidade, impedindo sua afirmação como sujeito nas relações sociais. O sujeito negro passa a ser capturado por estereótipos que o antecedem e o aprisionam. É um diagnóstico duro, mas muito lúcido, sem maquiagem teórica. A alternativa D traduz exatamente essa ideia. Fanon critica o modo como o colonialismo transforma o negro em objeto de um olhar racializado, bloqueando sua subjetivação e sua liberdade. Em vez de pensar o problema como falta de oportunidades apenas, ele aponta para a estrutura simbólica e psíquica da dominação. As demais alternativas escorregam porque tentam vestir Fanon com roupas que não são dele: universalismo abstrato, modelo das ciências naturais, separação entre teoria e práxis, ou solução meramente distributiva. Fanon é justamente o autor que mostra que, sem enfrentar o racismo como estrutura social e psíquica, a ferida continua aberta.