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Psicologia · FGV · 2025

Questão comentada de Psicologia

Frantz Fanon é um nome central nos estudos culturais, pós-coloniais e africano-americanos, conhecido por sua vigorosa crítica ao racismo. A obra do psiquiatra e filósofo político martinicano é de grande importância por desvelar os efeitos traumáticos da dominação colonial na subjetividade, inscrevendo-se como referência fundamental para o estudo do psiquismo e das determinações sociais. De acordo com a sua teoria,

Gabarito: D

Frantz Fanon analisou o colonialismo não como um simples arranjo político, mas como uma máquina que entra na cabeça das pessoas e molda identidade, corpo, linguagem e desejo. Em obras como Pele negra, máscaras brancas e Os condenados da terra, ele mostra que o racismo colonial não é só exclusão material: ele produz inferiorização subjetiva, vergonha e desumanização do negro. Por isso, na leitura fanoniana, o colonialismo não apenas discrimina de fora para dentro. Ele cria um discurso essencialista, que define o negro como ser fixo, inferior e sem plena humanidade, impedindo sua afirmação como sujeito nas relações sociais. O sujeito negro passa a ser capturado por estereótipos que o antecedem e o aprisionam. É um diagnóstico duro, mas muito lúcido, sem maquiagem teórica. A alternativa D traduz exatamente essa ideia. Fanon critica o modo como o colonialismo transforma o negro em objeto de um olhar racializado, bloqueando sua subjetivação e sua liberdade. Em vez de pensar o problema como falta de oportunidades apenas, ele aponta para a estrutura simbólica e psíquica da dominação. As demais alternativas escorregam porque tentam vestir Fanon com roupas que não são dele: universalismo abstrato, modelo das ciências naturais, separação entre teoria e práxis, ou solução meramente distributiva. Fanon é justamente o autor que mostra que, sem enfrentar o racismo como estrutura social e psíquica, a ferida continua aberta.

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