No Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da cidade XYZ, a equipe formada por médico psiquiatra, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional e enfermeiro se reúne semanalmente para debater os casos de pacientes atendidos, avaliar os resultados obtidos e planejar o acompanhamento subsequente. Esse modo de funcionamento se alinha com o modelo:
- A)de equipe transdisciplinar, na qual o médico psiquiatra assume o papel de coordenação técnica da equipe e administrativa do equipamento;
Errada, porque transdisciplinaridade não é definida por coordenação técnica do psiquiatra, e sim pela superação das fronteiras entre disciplinas.
- B)de equipe multidisciplinar, na qual a liderança da equipe é exercida em rodízio, contemplando democraticamente todas as categorias profissionais;
Errada, pois equipe multidisciplinar envolve atuação paralela de áreas distintas, sem necessariamente haver troca profunda de saberes ou liderança em rodízio.
- C)de equipe pluriprofissional, na qual atuam profissionais das diferentes formações, resultando numa diluição das especificidades de cada categoria;
Errada, porque pluriprofissional apenas indica presença de vários profissionais, sem implicar diluição das especificidades de cada categoria.
- D)de equipe interdisciplinar, na qual há uma troca de saberes entre os profissionais de diferentes formações, visando à construção de um saber coletivo com foco no cuidado integral;
Certa, pois descreve a troca de saberes entre profissionais diferentes para construir um cuidado coletivo e integral.
- E)de equipe de matriciamento, na qual a prática de assistência aos pacientes está associada à formação acadêmica dos residentes, sob a supervisão do coordenador responsável.
Errada, porque matriciamento é uma estratégia de apoio entre equipes de referência e apoio especializado, não o modelo descrito na reunião semanal do CAPS.
Gabarito: D
A questão explora a diferença entre os modelos de organização do trabalho em saúde. Em serviços como o CAPS, não basta ter vários profissionais na mesma sala: o ponto central é como eles se relacionam na construção do cuidado. Quando cada área troca informações, dialoga com as demais e ajusta sua atuação para um plano comum, você está diante de uma lógica interdisciplinar. Na interdisciplinaridade, os saberes não ficam isolados em caixinhas nem se anulam. Cada profissional mantém sua identidade técnica, mas todos articulam suas contribuições para produzir um cuidado mais completo e coerente com a singularidade do usuário. Isso combina muito com a proposta da atenção psicossocial, que valoriza o cuidado integral e o trabalho em equipe. É por isso que o gabarito é a letra D. O enunciado diz que a equipe se reúne semanalmente para debater casos, avaliar resultados e planejar o acompanhamento subsequente. Isso mostra troca de saberes, discussão conjunta e construção de uma estratégia comum, exatamente o núcleo da equipe interdisciplinar. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: transdisciplinaridade sugere ultrapassagem das fronteiras disciplinares, multidisciplinaridade costuma ser apenas justaposição de áreas, e matriciamento é outra lógica de apoio técnico e pedagógico entre equipes, não a simples reunião assistencial descrita. No SUS, esse trabalho em equipe dialoga com a diretriz de integralidade e com a organização do cuidado em rede.