Na perspectiva da análise institucional, os processos de autoanálise e autogestão tem uma potência crítica e transformadora das instituições. Assinale a afirmativa correta acerca da autoanálise.
- A)Considera que a comunidade precisa se organizar em coletivos para produzir o seu saber.
Certa, porque a autoanálise é coletiva e produz saber pela própria comunidade, em vez de depender de uma verdade externa.
- B)É um passo que precede a autogestão, sendo parte de um processo linear e não iterativo.
Errada, porque autoanálise e autogestão não formam um percurso linear e fechado; são movimentos interligados e contínuos.
- C)Pressupõe que o saber dos especialistas é alienado e não passível de articulações horizontais.
Errada, porque a análise institucional não rejeita o saber dos especialistas por completo, mas critica sua centralidade e busca articulação horizontal.
- D)Prescinde da participação dos sujeitos que a comunidade considera especialistas em determinadas áreas.
Errada, porque a autoanálise não dispensa especialistas necessariamente; ela questiona a hierarquia do saber e privilegia a participação dos sujeitos.
- E)Atinge a sua completude ao possibilitar que o instituinte se torne instituído, transformando as relações.
Errada, porque autoanálise não se esgota quando o instituinte vira instituído; ela mantém o processo de transformação aberto.
Gabarito: A
Na análise institucional, autoanálise é o movimento em que o próprio grupo pensa sobre o que faz, por que faz e como pode mudar suas práticas, sem esperar uma “verdade pronta” vinda de fora. Ela tem potência crítica porque faz aparecer as regras, os hábitos e as hierarquias que muitas vezes ficam naturalizados dentro da instituição. Em outras palavras: a instituição passa a se olhar no espelho e, às vezes, esse espelho não é nada confortável. Esse processo não depende de especialistas como donos do saber. Pelo contrário, a ideia é valorizar a produção coletiva de sentidos, a participação dos sujeitos envolvidos e a construção horizontal do conhecimento. Por isso, na análise institucional, a autoanálise se aproxima da democratização do saber e da fala dos próprios integrantes da instituição. A alternativa A está correta porque descreve justamente essa lógica: a comunidade se organiza em coletivos para produzir seu próprio saber, a partir da experiência vivida e da reflexão conjunta. Isso é bem compatível com a tradição da análise institucional, especialmente com autores como René Lourau e Georges Lapassade, que defendem a crítica às formas hierárquicas e centralizadas de conhecimento. As demais alternativas escapam dessa ideia central, seja tratando o processo como linear, seja reforçando a autoridade dos especialistas, seja confundindo autoanálise com uma transformação final e fechada. Em análise institucional, o processo é vivo, coletivo e transformador, não um checklist com ponto de chegada.