Com relação aos estudos de Vitimologia, assinale a afirmativa correta.
- A)Síndrome de Estocolmo se refere ao contexto em que uma mulher, ao ser rejeitada, acusa falsamente alguém da prática de um crime sexual.
Errada, porque Síndrome de Estocolmo é a ligação afetiva da vítima com o sequestrador, e não a falsa acusação por rejeição.
- B)Síndrome de Londres é o fenômeno psicológico em que as vítimas de um sequestro ou de uma situação traumática desenvolvem sentimentos de empatia ou afeto pelos seus agressores.
Errada, porque o enunciado da Síndrome de Londres está trocado com a ideia de afeto do sequestrado pelo agressor, que é a Síndrome de Estocolmo.
- C)Síndrome da mulher de Potifar é o fenômeno psicológico em que as vítimas de um sequestro adotam uma postura de desobediência em relação aos sequestradores.
Errada, porque Síndrome da mulher de Potifar se relaciona à falsa imputação de crime sexual, e não à desobediência ao sequestrador.
- D)Vitimização primária é o fenômeno que se refere ao sofrimento imposto à vítima de um crime em razão das frustrações oriundas do sistema de justiça criminal.
Errada, porque isso descreve vitimização secundária, causada pelo sistema de justiça criminal, e não a primária.
- E)Vitimização terciária é o fenômeno que se refere à estigmatização imposta pelo meio social à vítima após o crime.
Certa, porque vitimização terciária é a estigmatização social sofrida pela vítima após o crime.
Gabarito: E
A Vitimologia estuda a vítima, sua relação com o autor do fato e os efeitos do crime sobre ela. Dentro desse tema, aparecem conceitos como vitimização primária, secundária e terciária, que a banca adora misturar com nomes de síndromes e com o “quem faz o quê” no sofrimento da vítima. A vitimização primária é o dano direto causado pelo crime, isto é, o sofrimento imediato da vítima em razão da própria infração. Já a vitimização secundária ocorre quando o próprio sistema de justiça, por maus-tratos, demora, descrédito ou tratamento insensível, faz a vítima reviver o trauma. A vitimização terciária, por sua vez, vem do meio social: preconceito, estigma, isolamento e culpa jogada sobre a vítima depois do crime. É exatamente isso que torna a alternativa E correta: ela descreve a estigmatização social sofrida pela vítima após o delito, que é o núcleo da vitimização terciária. Em linguagem de prova, pense assim: o crime fere, o sistema pode machucar de novo, e a sociedade ainda pode empurrar a vítima para a esquina do julgamento moral. As demais alternativas trocam nomes de síndromes ou confundem os tipos de vitimização. A FGV costuma cobrar essas expressões com muita troca de conceitos, então vale fixar a lógica: primária = crime; secundária = sistema; terciária = sociedade. Essa divisão é amplamente aceita na doutrina vitimológica, especialmente nos estudos de Hans von Hentig, Mendelsohn e na abordagem contemporânea da vitimização.