A violência configura-se como um grave problema de saúde pública, em especial quando se trata da violência contra crianças e adolescentes, pois marca profundamente o desenvolvimento desse grupo etário, além de constituir flagrante violação aos direitos humanos. Sobre o abuso sexual, é correto afirmar que:
- A)a investigação psicológica deve se apoiar em sintomas específicos que determinam se houve abuso sexual ou não;
Errada, porque não há um conjunto de sintomas específicos que, isoladamente, determine se houve abuso sexual; a avaliação precisa ser ampla e contextual.
- B)a notificação é obrigatória nos casos confirmados de violência contra crianças e adolescentes, e facultativa quando não houver vestígios materiais do abuso;
Errada, porque a notificação de violência contra criança e adolescente é obrigatória em situações de suspeita ou confirmação, não dependendo de haver vestígios materiais.
- C)crianças e adolescentes, tanto do sexo feminino quanto masculino, são vítimas desse tipo de violência; entretanto, os meninos estão entre as principais vítimas;
Errada, porque meninas são as principais vítimas de violência sexual, embora meninos também possam ser vítimas.
- D)o posicionamento do profissional como defensor das crianças é fundamental para que ele possa atuar como avaliador neutro diante dos casos de suspeita de abuso;
Errada, porque o profissional não deve confundir defesa da criança com perda de imparcialidade técnica; a atuação deve ser ética, crítica e baseada em avaliação cuidadosa.
- E)fatores subjetivos dos profissionais, bem como o contexto institucional e social em que atuam, podem afetar as conclusões e os seus encaminhamentos perante as situações de violência sexual.
Certa, porque crenças pessoais, contexto institucional e ambiente social podem influenciar a interpretação do caso e os encaminhamentos dados pelo profissional.
Gabarito: E
Em casos de abuso sexual, a atuação psicológica exige muito cuidado, porque não existe um “sintoma mágico” que, sozinho, feche diagnóstico. O profissional precisa considerar entrevista, contexto familiar, relato da criança, sinais comportamentais e articulação com a rede de proteção. A literatura da Psicologia Jurídica e da proteção infantojuvenil alerta justamente para o risco de conclusões apressadas, porque a violência sexual pode deixar marcas importantes, mas nem sempre deixa vestígios físicos ou um quadro emocional padronizado. Por isso, fatores subjetivos do próprio profissional contam bastante: crenças pessoais, medos, valores morais, experiência prévia e até a pressão do ambiente institucional podem influenciar a leitura do caso. Some a isso o contexto social, a cultura local e a forma como a rede atende a vítima, e você tem um terreno em que o cuidado técnico precisa ser redobrado. Em outras palavras: na prática, o caso não fala sozinho, e o profissional também não é uma câmera imparcial de filme policial. O gabarito está na letra E porque ela reconhece algo bem real na Psicologia Jurídica: as conclusões e os encaminhamentos em situações de violência sexual podem ser afetados por vieses subjetivos e pelo contexto institucional e social. Isso é compatível com a orientação técnica de atuação crítica, ética e interdisciplinar, evitando tanto a banalização quanto a certeza precipitada. Na proteção de crianças e adolescentes, o Estatuto da Criança e do Adolescente, especialmente o dever de proteção integral, reforça a necessidade de atuação responsável e articulada com a rede. Resumo de prova: abuso sexual não se confirma por “receita pronta”, nem por neutralidade imaginária. O que vale é uma avaliação cuidadosa, técnica e sensível ao contexto, porque a pressa e os preconceitos costumam atrapalhar mais do que ajudar.