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Psicologia · FGV · 2025

Questão comentada de Psicologia

A violência configura-se como um grave problema de saúde pública, em especial quando se trata da violência contra crianças e adolescentes, pois marca profundamente o desenvolvimento desse grupo etário, além de constituir flagrante violação aos direitos humanos. Sobre o abuso sexual, é correto afirmar que:

Gabarito: E

Em casos de abuso sexual, a atuação psicológica exige muito cuidado, porque não existe um “sintoma mágico” que, sozinho, feche diagnóstico. O profissional precisa considerar entrevista, contexto familiar, relato da criança, sinais comportamentais e articulação com a rede de proteção. A literatura da Psicologia Jurídica e da proteção infantojuvenil alerta justamente para o risco de conclusões apressadas, porque a violência sexual pode deixar marcas importantes, mas nem sempre deixa vestígios físicos ou um quadro emocional padronizado. Por isso, fatores subjetivos do próprio profissional contam bastante: crenças pessoais, medos, valores morais, experiência prévia e até a pressão do ambiente institucional podem influenciar a leitura do caso. Some a isso o contexto social, a cultura local e a forma como a rede atende a vítima, e você tem um terreno em que o cuidado técnico precisa ser redobrado. Em outras palavras: na prática, o caso não fala sozinho, e o profissional também não é uma câmera imparcial de filme policial. O gabarito está na letra E porque ela reconhece algo bem real na Psicologia Jurídica: as conclusões e os encaminhamentos em situações de violência sexual podem ser afetados por vieses subjetivos e pelo contexto institucional e social. Isso é compatível com a orientação técnica de atuação crítica, ética e interdisciplinar, evitando tanto a banalização quanto a certeza precipitada. Na proteção de crianças e adolescentes, o Estatuto da Criança e do Adolescente, especialmente o dever de proteção integral, reforça a necessidade de atuação responsável e articulada com a rede. Resumo de prova: abuso sexual não se confirma por “receita pronta”, nem por neutralidade imaginária. O que vale é uma avaliação cuidadosa, técnica e sensível ao contexto, porque a pressa e os preconceitos costumam atrapalhar mais do que ajudar.

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