A autópsia psicológica nasceu como um procedimento para assessorar médicos forenses no curso de investigações de morte, especialmente em casos duvidosos. Atualmente, diversas publicações científicas discutem o uso da autópsia psicológica ou psicossocial como abordagem metodológica para a compreensão do fenômeno do suicídio. Com relação a essa abordagem, avalie as afirmativas a seguir. I. A autópsia psicológica contribui para a identificação de fatores de risco e correlatos sociodemográficos do suicídio, concorrendo para estruturar ações de prevenção e atendimento. II. São evitadas entrevistas com informantes da família a fim de prevenir novos suicídios provocados pelo sentimento de culpa. III. A autópsia psicológica é importante na dosimetria da pena do criminoso por considerar fatores como a intencionalidade, a premeditação e o potencial de reincidência no crime. Está correto o que se afirma em
- A)I e II, apenas.
Errada, porque a II está incorreta: a autópsia psicológica justamente utiliza entrevistas com familiares e outros informantes.
- B)I e III, apenas.
Errada, porque a III está incorreta: esse procedimento não é usado para dosimetria da pena criminal.
- C)II e III, apenas.
Errada, porque tanto a II quanto a III estão erradas, já que fogem da finalidade da autópsia psicológica.
- D)I, II e III.
Errada, porque apenas a I está correta; II e III distorcem o propósito do método.
- E)I, apenas.
Certa, porque a autópsia psicológica ajuda a identificar fatores de risco e correlatos do suicídio, enquanto II e III não correspondem ao seu uso técnico.
Gabarito: E
A autópsia psicológica é uma técnica investigativa usada para reconstruir, depois da morte, aspectos da vida psíquica, social e comportamental da pessoa, sobretudo quando se suspeita de suicídio. Ela costuma reunir informações com familiares, amigos, prontuários, cartas, registros e outros dados que ajudem a entender o que pode ter contribuído para o desfecho. Em termos práticos, funciona como uma espécie de “quebra-cabeça” biográfico do caso. No campo da saúde mental e da prevenção, esse procedimento é muito útil porque ajuda a identificar fatores de risco, sinais prévios, contexto social e correlatos sociodemográficos associados ao suicídio. Isso tem valor direto para pesquisa, prevenção e organização de serviços de atendimento. Ou seja, não é só curiosidade pericial: é instrumento de conhecimento e proteção. A afirmativa II está errada porque, na prática, entrevistas com informantes próximos da família fazem parte do método. O objetivo não é evitar esse contato, mas colher informações de forma técnica, cuidadosa e ética, com atenção ao sofrimento dos envolvidos. Pode haver manejo sensível para não agravar o luto, mas não há uma regra de exclusão dessas entrevistas. A afirmativa III também está errada porque autópsia psicológica não serve para dosimetria da pena nem para avaliar crime, premeditação ou reincidência. Isso pertence à esfera penal e pericial forense em outro sentido. A autópsia psicológica é voltada à compreensão de mortes, especialmente suicídio, e por isso o gabarito é E: somente a afirmativa I está correta.