A dinâmica da violência conjugal é conhecida por seu caráter cíclico. José e Marlene permanecem numa relação violenta, sendo que os atos violentos se tornam cada vez mais intensos. Porém, no presente momento, Marlene decidiu perdoar José da agressão sofrida, alimentando a esperança de que o relacionamento será melhor daqui para frente, haja vista todas as promessas e demonstrações de arrependimento da parte dele. Trata-se da fase conhecida como:
- A)lua de mel;
Certa, porque descreve a fase de reconciliação após a agressão, com promessas de mudança e aparente melhora do relacionamento.
- B)amor líquido;
Errada, porque amor líquido é um conceito sociológico de Bauman, não uma fase do ciclo da violência conjugal.
- C)ataque violento;
Errada, porque ataque violento é o momento da agressão em si, e não a etapa de perdão e reconciliação.
- D)construção da tensão;
Errada, porque construção da tensão é a fase anterior à agressão, quando o clima fica mais hostil e instável.
- E)recalque da realidade.
Errada, porque recalque da realidade não é uma fase reconhecida do ciclo da violência doméstica.
Gabarito: A
A violência conjugal costuma aparecer em um ciclo bem conhecido: primeiro cresce a tensão, depois ocorre a agressão, e em seguida vem uma fase de reconciliação aparente. É justamente nesse momento que a relação parece “respirar”, mas só por fora, porque por dentro a dinâmica violenta continua armada para o próximo episódio. Na literatura, esse padrão é muito associado ao ciclo da violência descrito por Lenore Walker, bastante cobrado em Psicologia Social e temas de violência doméstica. No enunciado, Marlene perdoa José, acredita nas promessas dele e mantém a esperança de que tudo vai melhorar. Isso é típico da fase em que o agressor pede desculpas, demonstra arrependimento e a vítima tende a minimizar o ocorrido ou a acreditar na mudança. É a chamada fase de lua de mel, em que o vínculo afetivo e as promessas funcionam como um “curativo emocional” temporário. A banca costuma explorar essa lógica cíclica para confundir você com as fases anteriores. Se há aumento gradativo da tensão, ainda não é o momento da explosão; se já houve agressão e depois vem o arrependimento com reconciliação, você está no trecho mais “doce” do ciclo, embora ele seja enganoso. A ideia central é: a violência não termina, ela apenas dá uma pausa estratégica. Então, o gabarito A está correto porque descreve exatamente essa fase de reconciliação ilusória, marcada por perdão, promessas e esperança de melhora. Em concursos, vale guardar a sequência clássica: construção da tensão, ataque violento e lua de mel. Essa é a trilha mais cobrada quando o tema é violência conjugal.