O Código de Ética Profissional do Psicólogo preconiza que, entre os deveres fundamentais do(a) psicólogo(a), está o de prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência, sem visar benefício pessoal. Entre as técnicas psicológicas mais alinhadas com a abordagem da intervenção em crise, encontram-se
- A)a psicoeducação e a escuta ativa.
Correta, porque psicoeducação e escuta ativa são estratégias breves, acolhedoras e muito usadas para estabilizar e orientar pessoas em crise.
- B)o matriciamento e a atenção flutuante.
Errada, porque matriciamento é estratégia de apoio em rede e atenção flutuante é técnica clássica da psicanálise, não da intervenção em crise.
- C)a dramatização e o condicionamento operante.
Errada, porque dramatização e condicionamento operante pertencem a lógicas interventivas diferentes e não são as mais típicas do manejo inicial de crise.
- D)a gestão do stress e o psicodiagnóstico diferencial.
Errada, porque gestão do estresse é ampla e psicodiagnóstico diferencial é voltado à avaliação, não ao atendimento breve e imediato em crise.
- E)as técnicas de regulação emocional e de associação livre.
Errada, porque regulação emocional pode até aparecer em alguns contextos, mas associação livre é técnica psicanalítica e não é a mais indicada para crise aguda.
Gabarito: A
Em situações de calamidade pública e emergência, o Código de Ética Profissional do Psicólogo exige uma postura de cuidado rápido, acessível e sem exploração da dor alheia. A ideia central é agir com responsabilidade social: atender quem precisa, no momento em que precisa, sem transformar a crise em oportunidade de lucro ou autopromoção. Esse dever ético conversa muito com a atuação em crise, que prioriza estabilizar a pessoa, reduzir sofrimento imediato e evitar agravamento do quadro. Na intervenção em crise, o foco não é fazer uma análise longa da vida inteira da pessoa. O objetivo é oferecer suporte breve, prático e acolhedor. Por isso, ferramentas como psicoeducação e escuta ativa aparecem como as mais adequadas: a psicoeducação ajuda a pessoa a entender suas reações diante do evento crítico, e a escuta ativa favorece acolhimento, vínculo e organização do sofrimento no curto prazo. A escuta ativa é especialmente importante porque, em crise, a pessoa pode estar confusa, assustada ou desorganizada emocionalmente. Ouvir com atenção, validar sentimentos e orientar de forma simples costuma ser mais útil do que técnicas mais complexas ou interpretativas. Já a psicoeducação funciona como uma espécie de mapa: mostra que certas reações são esperadas naquele contexto e ajuda a pessoa a se regular melhor. Por isso, o gabarito é a letra A. As demais alternativas misturam técnicas de outras áreas, de outras abordagens ou de contextos que não são os mais alinhados com a lógica imediata e acolhedora da intervenção em crise.