Tereza é uma professora universitária aposentada de 63 anos, viúva, filhos adultos e independentes, que mora sozinha. Há um mês, Tereza sente que vem perdendo o interesse em sair com os amigos, não tem mais vontade de se arrumar, se sente vazia e sem propósitos na vida e chega a pensar que seria bom se fosse dormir e não acordasse mais. De acordo com o DSM-5, é possível identificar em Tereza um quadro de
- A)luto patológico.
Errada: o luto patológico exige relação com perda recente e foco predominante na vivência do luto, o que não é o quadro descrito.
- B)transtorno bipolar misto.
Errada: transtorno bipolar misto envolve sintomas depressivos e maníacos/hipomaníacos ao mesmo tempo, e isso não aparece no caso.
- C)demência senil.
Errada: demência senil não é o melhor enquadramento aqui, porque faltam déficits cognitivos progressivos e o problema central é afetivo.
- D)fobia social.
Errada: fobia social exige medo intenso de avaliação social, e o enunciado fala de desinteresse, vazio e ideação de morte.
- E)transtorno depressivo maior.
Certa: os sintomas descritos são compatíveis com episódio depressivo maior, com anedonia, desânimo, vazio e ideação suicida passiva.
Gabarito: E
Pelo DSM-5, o quadro descrito aponta para um episódio depressivo com sintomas típicos: perda de interesse e prazer nas atividades, redução do autocuidado, sensação de vazio, desesperança e, principalmente, a ideia de que seria melhor não acordar mais. Isso vai além de uma tristeza comum ou de uma fase de adaptação: aqui já há sofrimento psíquico relevante e prejuízo do funcionamento social. No transtorno depressivo maior, o DSM-5 exige, em linhas gerais, pelo menos 5 sintomas por 2 semanas, incluindo humor deprimido ou perda de interesse/prazer, além de outros sinais como alteração do sono, apetite, energia, concentração, culpa ou pensamentos de morte. A presença de ideação suicida passiva, como no enunciado, é um alerta importante e reforça a gravidade do quadro. Perceba que o caso não descreve alterações de pensamento típicas de demência, nem sintomas de mania ou hipomania, nem medo intenso de situações sociais. O centro da questão é o empobrecimento do interesse, o vazio e a ideação de morte, combinação muito clássica de depressão maior. Em provas, a FGV gosta de trocar tristeza reativa, luto e depressão. Mas, quando aparecem anedonia, desesperança e pensamento de morte, a pista costuma ficar bem forte para transtorno depressivo maior.