Muito embora o experimento social desenvolvido pelo psicólogo Stanley Milgram, em 1964, com imposição de choques elétricos, esteja sendo questionado atualmente, prêmios foram concedidos à pesquisa, pois se tratou de iniciativa pioneira para entender algumas das dinâmicas associadas ao nazismo. Aquela experiência social buscou analisar
- A)a tolerância à frustração.
Errada, porque o experimento não investigava tolerância à frustração, mas sim a resposta do sujeito à ordem de uma autoridade.
- B)o apego à figura materna.
Errada, pois apego à figura materna remete a outra linha teórica, como estudos do desenvolvimento e do vínculo, e não ao experimento de Milgram.
- C)a obediência à autoridade.
Certa, porque Milgram buscou analisar a obediência à autoridade diante de comandos que levavam o participante a acreditar que causava dor em outra pessoa.
- D)a inteligência adaptativa.
Errada, já que inteligência adaptativa não era o objeto da pesquisa, que tinha foco em comportamento social e submissão à autoridade.
- E)o estresse pós-traumático.
Errada, porque estresse pós-traumático é um quadro clínico relacionado a trauma, e não o alvo do experimento sobre obediência.
Gabarito: C
Stanley Milgram conduziu, em 1964, um experimento clássico da Psicologia social para investigar até onde uma pessoa comum pode ir quando recebe ordens de uma autoridade considerada legítima. A cena era simples, mas desconfortável: o participante acreditava estar aplicando choques em outra pessoa sempre que ela errava respostas, e isso permitia observar se ele obedeceria mesmo diante do sofrimento aparente do outro. Esse estudo ficou famoso porque ajudou a entender como indivíduos comuns podem agir de forma extremamente obediente em contextos de forte pressão hierárquica. A grande pergunta de Milgram era justamente sobre a obediência à autoridade, tema muito associado, inclusive, a reflexões sobre comportamentos de massa e situações extremas como as do nazismo. Por isso, o gabarito é a letra C. A experiência não tinha foco em frustração, apego materno, inteligência adaptativa ou estresse pós-traumático, mas sim na tendência humana de seguir comandos de uma autoridade, mesmo quando isso entra em conflito com a consciência moral. Em termos de História da Psicologia, esse é um daqueles experimentos que viram referência obrigatória em Psicologia social. E, mesmo com críticas éticas posteriores, ele continua sendo lembrado porque mostrou algo incômodo: muita gente obedece mais do que gostaria de admitir.