Após uma situação de tragédia climática em que muitas famílias foram desabrigadas e desalojadas, Julia se apresentou como psicóloga voluntária para prestar assistência às vítimas. Um recurso da intervenção em crise usado em situações dessa natureza é:
- A)a escuta ativa;
Certa, porque a escuta ativa é um recurso central da intervenção em crise, favorecendo acolhimento, contenção emocional e organização inicial da vítima.
- B)a atenção flutuante;
Errada, porque atenção flutuante é técnica da psicanálise e não um recurso típico de atendimento emergencial em situação de desastre.
- C)a identificação projetiva;
Errada, porque identificação projetiva é um mecanismo de defesa descrito na teoria psicanalítica, não uma técnica de intervenção em crise.
- D)o condicionamento operante;
Errada, porque condicionamento operante é um conceito da análise do comportamento e não um recurso imediato para assistência a vítimas de tragédia.
- E)a dessensibilização sistemática.
Errada, porque dessensibilização sistemática é uma técnica comportamental usada em tratamento de fobias e ansiedade, não em resposta inicial à crise.
Gabarito: A
Em intervenções em crise, especialmente depois de tragédias como enchentes, desabrigamento ou perdas em massa, o objetivo imediato não é interpretar a vida da pessoa nem fazer análise profunda. A ideia é acolher, estabilizar e ajudar a vítima a organizar o que está sentindo e precisar no momento. Por isso, recursos simples, humanos e diretos costumam ser os mais cobrados em prova. A escuta ativa é exatamente esse recurso: ouvir com atenção, demonstrar presença, acolher a fala, validar sentimentos e permitir que a pessoa conte sua experiência sem se sentir julgada. Em contexto de crise, isso ajuda a reduzir desorganização emocional, sensação de abandono e confusão. É o clássico da assistência psicológica de emergência: primeiro você escuta, depois você pensa no resto. Já atenção flutuante é técnica da psicanálise, usada para ouvir sem privilegiar um conteúdo específico, e não é a ferramenta típica de uma intervenção em crise. As outras alternativas também pertencem a outras áreas da Psicologia e não têm a finalidade de apoio imediato em desastre. A banca, aqui, quer o recurso básico e mais compatível com acolhimento emergencial. Portanto, o gabarito é a letra A, porque a escuta ativa é um dos principais instrumentos da intervenção em crise, favorecendo vínculo, contenção e orientação inicial. Em provas de Psicologia, especialmente da FGV, vale lembrar: crise pede acolhimento prático e imediato, não técnica terapêutica sofisticada.