Sérgio acordou com dor de cabeça e tremores e mandou sua mulher Celia ligar para seu trabalho e avisar que ele estava doente. Em seguida, Sérgio foi para o bar, onde tomou sua primeira dose de conhaque do dia. Celia já conversou com o marido para ele procurar um médico, mas Sérgio afirma que tem controle sobre a bebida e que está apenas passando por uma fase ruim na repartição. Nesse momento, Sérgio está usando com relação à sua dependência química o mecanismo de defesa de
- A)contemplação.
Contemplação não é mecanismo de defesa psicanalítico, mas uma etapa de mudança de comportamento, então não se aplica ao caso.
- B)identificação projetiva.
Identificação projetiva é um conceito da teoria das relações objetais, ligado a projetar partes de si no outro, o que não aparece aqui.
- C)sublimação.
Sublimação é quando a energia de um impulso é canalizada para uma atividade socialmente aceita, e Sérgio faz exatamente o oposto ao negar o problema.
- D)negação.
Correta: Sérgio minimiza e recusa reconhecer a dependência, característica típica da negação.
- E)formação reativa.
Formação reativa ocorre quando a pessoa expressa o oposto do impulso verdadeiro, o que não é o que Sérgio faz ao negar a gravidade da situação.
Gabarito: D
Quando a pessoa vive um problema, o jeito como ela explica o que está acontecendo diz muito sobre o mecanismo de defesa que está usando. Aqui, Sérgio apresenta sinais claros de dependência, mas minimiza o problema: diz que tem controle sobre a bebida e atribui a situação a uma fase ruim no trabalho. Isso é típico de negação, que acontece quando a pessoa se recusa a reconhecer a realidade ou a gravidade do que está vivendo, como se dissesse: "não é comigo". Na prática, a negação funciona como uma proteção psíquica de curto prazo. Ela alivia a ansiedade no momento, mas impede que a pessoa procure ajuda e enfrente a situação de forma mais realista. Em dependência química, isso é muito comum: o sujeito até pode perceber os prejuízos, mas os empurra para longe para não encarar a própria vulnerabilidade. Por isso, o gabarito é a letra D. Sérgio não está elaborando, substituindo ou transformando o impulso em algo socialmente útil; ele está simplesmente negando o problema e mantendo a justificativa de que "está tudo sob controle". Em termos clássicos da psicanálise, a negação é um mecanismo de defesa em que o ego rejeita uma realidade desagradável para reduzir o sofrimento imediato.