Achille Mbembe é um importante pensador camaronês que faz uma releitura das noções ligadas ao racismo de Estado trazidas por Michel Foucault, juntamente com contribuições teóricas de outros autores também importantes para refletir sobre as relações entre Estado, violência e colonialidade. Como exemplo, a chamada guerra às drogas como política de Estado produz práticas de desumanização, criminalização e extermínio de grupos socialmente vulneráveis. Para pensar essa forma de gestão, Mbembe cria o conceito chave de
- A)biopoder.
Biopoder é um conceito de Foucault sobre o poder que administra a vida e os corpos, mas não é o termo central criado por Mbembe para a gestão da morte.
- B)biopolítica.
Biopolítica também vem de Foucault e se refere às técnicas de controle da vida coletiva, porém não nomeia a lógica de extermínio descrita no enunciado.
- C)necropolítica.
Correta: necropolítica é o conceito de Mbembe para explicar o poder de decidir quem pode viver e quem deve morrer, especialmente em contextos de racismo e violência estatal.
- D)banalidade do mal.
Banalidade do mal é uma formulação de Hannah Arendt sobre a obediência e a normalização do mal, não o conceito usado por Mbembe.
- E)estado de exceção.
Estado de exceção é uma noção ligada principalmente a Giorgio Agamben, e não o conceito-chave criado por Mbembe para essa análise.
Gabarito: C
Achille Mbembe dialoga com Michel Foucault, mas vai além quando analisa como certos poderes não apenas administram a vida, e sim decidem quem pode morrer. Para ele, em contextos marcados por colonialismo, racismo e violência estatal, o Estado pode transformar grupos inteiros em alvos permanentes de eliminação, abandono e exposição à morte. É exatamente por isso que a ideia de guerra às drogas aparece aqui como exemplo clássico: em nome da segurança, certos corpos passam a ser tratados como descartáveis. Não se trata só de controlar a população, mas de produzir zonas de morte, exclusão e desumanização. O conceito-chave criado por Mbembe para explicar essa gestão da morte é a necropolítica. O foco deixa de ser apenas o governo da vida, como em biopoder ou biopolítica, e passa a ser o poder de determinar quem vive e quem morre. Em linguagem de prova: se o Estado organiza a morte como política, você deve pensar em necropolítica. Então, o gabarito C está correto porque a questão descreve justamente uma política estatal que naturaliza a violência e o extermínio de grupos vulneráveis. Mbembe usa esse conceito para analisar como o racismo e a colonialidade sustentam formas de dominação em que a morte vira instrumento de governo.